segunda-feira, 28 de maio de 2012

Querer e crer


Querer é dar força à vontade, focalizando a pessoa num resultado concreto. Desejado! Com a crença de que o vai alcançar. É afastar os bloqueios, refrear e ultrapassar os medos. Fazer deles desafios que se conquistam e ultrapassam.

Querer é o mecanismo mais importante para o sucesso. Crer, acreditar, é a ferramenta que nos leva a ultrapassar as dificuldades, os inesperados.

O que aprendemos ao longo da vida pode ensinar a não querer nem crer! O contexto educativo ensina e transforma, nem sempre para o bem. Em certos casos, a educação atrapalha, a certa altura, passamos a não saber se queremos. Pior ainda. Já não sabemos crer, acreditar.

A consciência deste estado é o primeiro passo para mudar. O segundo, é o de assumir a humildade de já não saber, ganhando a coragem de iniciar um caminho, desconhecido, fazendo o esforço, por vezes com sofrimento, de mudar. Depois, é só começar com o espírito de experimentar e aprender. De aceitar o novo, o diferente, com prazer. E tudo o resto é fácil.

sábado, 26 de maio de 2012

O dedo na ferida … do Leão!


Desculpem-me, amigos que amam o SCP. Vamos falar com realismo. Hoje, o Sporting já não é um dos grandes. Já foi, mas agora, o clube não está à altura da ambição. Perderam a taça, com a Académica! Era favas contadas … para um clube superior! 

Os da Briosa, que estavam em campo, assumiram a inferioridade e quiseram ganhar. Lutaram, determinados, conquistaram. Mereceram.

Faltou-vos a noção da realidade, fora e dentro do campo, faltou a chama de vencedor e a imponência que já não têm. Aprenderam a lição. A falta de realismo enfraquece a regeneração! 

Olhem bem para o palmarés (do futebol de 11) nos últimos 25 anos. Uma geração com poucos títulos, envergonha a história do clube. Muito longe do Porto. Distante do Benfica. Seguido de perto pelo Braga e Boavista. 

O atraso é grande. O espírito de campeão já não existe. 

Quando assumirem esta realidade, com humildade, ganharão raiva, que se pode transformar em força. Criarão um ambiente mais favorável para os jogadores, poderão lutar com mais energia coletiva, combinando a força da emoção com a inteligência da razão. A situação atual também exige tempo, organização e trabalho, espírito de sacrifício, dedicação e persistência para alcançar os melhores.

Acordem. Aproveitem a alma ferida do Leão para criar um sistema de liderança consistente, uma cultura de campeão. Com crença e determinação. 

Por agora, sobra sonho e ousadia, ilusão. Os resultados ficam à vista. Não é só um problema vosso. É o fiel retrato da nação, em que os «culpados» ... são os jogadores!

Gabarolas e cobardolas


Quando miúdo e jovem, com facilidade, conseguia vitórias em diversas frentes. Enchiam-me o ego. Cantava-as aos quatro ventos. Com baixa auto-estima, era gabarolas. Inconsciente, inconsequente. Iludido, era diferente ... e feliz.

Insuportável para alguns. Com razão, reconheço hoje! Normalmente incompreendido, era competitivo, por vezes, arrogante. A gabarolice raiava a parvoíce. Ofendia os que se sentiam incapazes de conseguir conquistas, de sentir o prazer de vencer.

Tanta crítica ouvi, tanta «porrada» levei. Tantas relações desperdicei.

Apesar de burro e desatento, acabei por aprender! Tornei-me humilde. Cobardolas. Deixei de cantar as vitórias. Fiquei quieto, para não ofender. Tornei-me português: cinzento, inseguro, pouco ambicioso, medroso e crítico.

Amargurado, assim me arrumei. Calmamente, sobrevivi e agachei-me. Aconcheguei-me na crítica. Estudei, aprofundei o sentido da vida, encontrei-lhe uma orientação significativa.

Sereno, hoje, volto a ser gabarolas, com resultados concretos para mostrar, usando o estilo polido daqueles que fingem não se mostrar para, com as suas vitórias, não amesquinharem os egos dos que os invejam, em silêncio. Aprendi a não ser genuíno!

Em Portugal, e não só, é pecado proclamar vitória. É perigoso ser diferente, dar nas vistas, ser arrojado, ganhar. A menos que se adote a atitude (que muitos apelidam de arrogante) do Mourinho, com resultados. Ele não tem medo de chocar … porque vence! Concretiza com a força da mente e um enome poder de integrar, de ajudar os outros a conquistar.

Por isso vos digo: ousem arriscar, com controlo, nos sonhos e projetos que geram ganhos mútuos! É excelente jogar, perder e vencer. Vive-se assim uma vida cheia, intensa, forte, que vale a pena viver! 

O sentido da vida é VIVER, não é fingir nem temer.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sejam felizes


O espaço, as ideias e o tempo são contextos daquilo que é importante na vida: as interações, as relações, os momentos, que ficam na memória, cheios de emoções. Daqui surge a importância dos geógrafos, arquitetos, paisagistas e outros especialistas do espaço. São idiotas que tentam desenhar lugares intemporais.

Podem imaginar locais especiais, cheios de sentido e significado, mas não os conseguem encher. Cada pessoa, ou conjunto delas, quando se apropria dos espaços, transforma-os, dá-lhes vida, conteúdos, efémeros, que se esvaem ou ficam retidos nas memórias.

Hoje é mais um dia de oportunidades. 

Pode ser engolido, destruído pela imensa parvoíce de dar importância a tudo aquilo que a não tem ... ou para ser feliz, nos sentimentos que se criam, nas trocas que se estabelecem, nos projetos que se desenham e nas práticas que concretizam.

Bom dia! Sejam felizes.

Sou um «qualquer coisa»


Para mim, um Geógrafo é um interpretador, um quase filósofo das relações entre o meio e o homem. Estuda e percebe a magia do território. Tem mais valor quando consegue ajudar a desenvolver estas relações de modo sustentável e mutuamente recompensadoras, com um sentido que integra passado, presente e futuro. Torna-se nobre quando, no aqui e agora, ajuda os  congéneres a viverem em paz com o meio. 

O geógrafo não é um mero técnico de números ou de mapas nem, tão só, um professor.

Nos últimos anos, os geógrafos encerraram-se nas universidades, atrás dos computadores e dos mapas digitais, dos intermináveis estudos de aprofundamento temático que pouco mais são do que confabulações científicas consistentes, mas estéreis e desinteressantes para o cidadão comum. Especializaram-se nas análises atomistas e nos planeamentos, perderam grande parte do seu significado social. Reduziram o seu valor.

Hoje, já não me considero um Geógrafo, mas, apenas, um pensador que, felizmente, fez um curso superior de Ensino da Geografia, com excelentes momentos de aprendizagem, com alguns professores. 

Como disseram doutos geógrafos há alguns anos (1998), não faço Geografia! Analiso e interpreto o território, procurando soluções que o valorizam, dando-lhe sentido e significado para as pessoas. Faço Marketing Territorial, há alguns anos. Estabeleço relações relevantes entre pessoas e meio, ajudo a criar sentidos e intervenções, exploro os significados concretos do espaço e o modo como eles podem influenciar a vida. Nada de novo!

Felizmente ;-), já não sou geógrafo, vou sendo um «qualquer coisa», como outros, senhores, engenheiros e doutores!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Descendo Monsanto


20 horas e quinze minutos, por aí abaixo, descendo Monsanto, depois de mais um dia, na escola! Umas aulas, uns testes, umas conversas! Nada mais, para além do prazer de dar aulas. De aprender com os que ensino, de estar com alguéns que me aturam e merecem.

Pagam-me para ser feliz. Para crescer, que mais posso querer? Em troca, dou tudo o que posso, o que penso saber. Tento fazer carinhas felizes, capazes de, hoje, sonhar com a vida que amanhã conquistarão.

Continuo a descer e avisto a cidade, esse objeto de estudo que explico com paixão. Passa um avião. Vai para a Portela, posso vê-lo aterrar ou observar a paisagem, sentindo o vento a passar pela cara. Que bom! 

Sabe tão bem regressar a casa depois de um dia em que tenho trabalho, em que sou quem sou e, no facebook, vejo os reflexos da vida nos sagrados agrados dos meus alunos, presentes e passados.

Bolas, ainda bem que fiz o curso de Geografia, me enganei no código e escolhi, sem querer, a via de Ensino. Ainda bem que deixei para traz, temporariamente, uma carreira na gestão. Boa opção. Foi o destino. 

Apesar de tudo, dos constrangimentos. É bom! Estou vivo, sou pobre, mas imensamente rico de relações e histórias para recordar em conjunto. É tão bom! Sou pobre, mas não estou podre, como alguns! 

Passamos por elas

Árvores. São vidas!

Estão cá, mas não as observamos, nem escutamos. Apenas passamos. Vivemos à sua sombra, quando chove e quando faz sol! Inalamos o ar que filtram, para que possamos respirar melhor.

Alimentam-nos. Dão-nos, ou roubamo-lhes, os seus frutos. Abrigam-nos em momentos de tempestade, dão sombra em terras escaldantes e criam o solo que pisoteamos para passear. Abrigam o chilrear dos pássaros e milhões de formas de vida que nos enriquecem.

Um dia secam. Já não estão lá, para nós, perde-mo-las. Como a vida.

Passamos por elas sem que as cuidemos, sem que as valorizemos. As vidas passam por nós, a correr, num fôlego, sem que as aproveitemos. Perde-mo-las, como as oportunidades, que não regressam. 

Não as respeitamos, não sabemos os seus nomes, as suas origens, as suas histórias. Apesar de serem elas que ali estão, vivendo, sentindo-nos, dando-nos ar, sombra, alimentos, filtrando e regenerando a água que bebemos e transpiramos. Esquece-mo-las!

Acompanham-nos, mas … cultivamos nelas o abandono que anda em nós, nas nossas vidas, em busca de ilusões frustradoras, por vezes, tenebrosas. 

Ai quem me dera saber ler as árvores e cuidar delas. Quão rico seria se as soubesse escutar e entender.