sábado, 10 de maio de 2014

Guerreiros de Paz

Qualquer guerra travada para o bem comum será vencida com persistência, mesmo que, por vezes, se possam perder batalhas, que desmotivam os guerreiros. Por isso, a paciência (Paz com Ciência/Sabedoria) é uma ferramenta excecionalmente importante.

A «guerra da arte do corpo», com música, é um prazer «superior» de inteligência. É um pilar de vida saudável, num planeta São! 

Ser bailarino é estar, por momentos, num nível próximo da plenitude da vida, enriquecendo o prazer de estar e dar, alcançando sensações que apenas a meditação permite, travando uma guerra de Paz.

Mas, para o Crato, isto é treta, filosofia e estética barata, a que a escola não precisa de dar lugar! Efetivamente, são conhecimentos de uma profundidade que a «sua matemática» nunca alcançará!

TUDO DE BOM

quinta-feira, 1 de maio de 2014

1º de Maio

É feriado. Por enquanto. O dia do trabalhador. O dia de alguém que investe tempo da sua vida na concretização de um resultado por conta de outrem! Alguém que pode ser um colaborador motivado ou um escravo explorado!

Hoje, é uma data de confrontação ideológica, estúpida, banalizada, que desvaloriza a importância de uma reflexão/negociação de novos papéis e de novas visões numa sociedade em plena mudança. 

Em tempos, de ditadura, chegou a ser um dia proibido!

O dia do trabalhador, não é o do calão nem do patrão, muito menos o do político mentirão. Deve ser o dia da reflexão sobre como trabalhar melhor, num esforço conjunto para melhorar o bem-estar social. 

Mas, tal só seria possível se a maioria quisesse assumir a sua responsabilidade sociopolítica, investindo tempo de vida na construção desta democracia, impedindo a manipulação política que promove o retorno à ditadura. Mas, isto é um sonho! A maioria dos portugueses … «não percebe nada de política» … nem de nada que lhes sugira pôr o cérebro a funcionar! 

sábado, 26 de abril de 2014

O Sentido de Responsabilidade

Nos últimos anos, muitos pais, diretores associativos, empresários e professores, no contacto direto comigo, queixam-se da falta de sentido de responsabilidade dos jovens adultos! É uma tragédia epidémica.

Confirmo-o, é uma dominante, uma característica que marca as últimas gerações de jovens adultos, alguns, agora com 45 anos!Dificultando a sua afirmação no mundo do trabalho e na sociedade, no período pós escolar. 

Pergunto-me: o que temos feito para que tal não ocorra?

O sentido de responsabilidade, tal como a cidadania, a empatia e o respeito, é uma competência emocional que se treina. Não se ensina! Aprende-se ... fazendo, experimentando, errando. Enfrentando desafios.

Pergunto-me: O que fazemos nós na escola, em casa e na comunidade, quando desresponsabilizamos e sobre-protegemos os filhos, os alunos e os estagiários?

Já repararam nos impactos desta educação na Democracia que temos? Não será este assunto uma base mais estrutural para a sociedade do que mais umas aulas de matemática* e português*?

*palavras propositadamente escritas com letra minúscula!

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Ser professor

Se me elogias, não esqueças que sou um retransmissor da sabedoria que aprendi com outros. Com ela, cresci! Depois, todos os dias, lhe junto um pouco de novas experiências que tento passar para ti.

Se me elogias, estás a fazê-lo também ao João, à Helena, ao Mário, ao José e a outros que, ao longo da minha vida, no ato de ensinar, carimbaram o meu coração, mostrando o que precisava de Ver. Assim se escreve a nossa História, numa cadeia interativa comum.

Se sou um bom professor, é porque amo o que faço, com uma paixão quase doentia em ajudar a construir vidas e futuros melhores. Sinto-me bem neste papel ... enquanto te vejo crescer.

Sou professor porque te ajudo a sorrir, respeitando tudo o que és e a liberdade que tens.  É, para mim, um simples ato de respirar enquanto te sinto a soltares as asas que te permitem voar.

Daqui a uns anos, se houver um Álvaro no meio de outros nomes que possas recordar com carinho, ficarei feliz. Fiz o que devia.

Esta é a beleza extraordinária de ser professor ;)

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ecossistemas transitórios

A solução dos espaços rurais mais deprimidos poderá passar pela criação de Ecossistemas (socioeconómicos) Transitórios. 

Efetivamente, a recuperação ou regeneração de edificações e de aldeias, bem como a criação de centros universitários temporários ou ateliês de empreendedorismo, aproveitando os fundos estruturais da UE e a vontade empreendedora de jovens recém-licenciados pode vir a dar àqueles espaços a vida que perderam há muito.

Tudo o que é transitório pode transformar-se em permanente ;)

Este fenómeno é muito evidente nos territórios onde as Associações de Desenvolvimento Local se converteram em fontes de criação de emprego e de inovação social.

Aquela que conheço melhor é a ESDIME (que começou na Messejana, pelo empreendedorismo do José Carlos Albino e de mais alguns carolas/loucos de então). Hoje, Aljustrel, Castro Verde, Ourique e Almodôvar sofrem o impacto direto e positivo deste ECOSSISTEMA TRANSITÓRIO.

Mas, se quiserem, aponto outros: ADCMoura; Rota do Guadiana; ACERT … e há por aí muito mais para indicar ;) felizmente, para Portugal.

Na origem desta ideia esteve a notícia - http://www.publico.pt/ciencia/noticia/troncos-de-arvores-atirados-ao-fundo-do-mar-ganham-vida-a-2300-metros-de-profundidade-1633209#/0

O prazer do que é simples

As coisas simples são, por vezes, as mais importantes ;)

Em momentos de solidão, passados na infância, quantas vezes fui molhar os pés e olhar o rio. Quantas vezes vivi esses momentos sem pensar em mais nada. Quantos mergulhos e braçadas, dei que me fizeram feliz. Quantas horas fiquei a olhar para as formigas ...

Foi tempo ganho! Vivido! Tal como aquele em que escrevo estas letras para as partilhar contigo ;) E assim cresço, cresci, aprendendo a dar sentido e significado às coisas simples da vida, às relações com gente simples.

É solitário, mas bom. É sereno e é feliz. Tal como a vida, vivida num ritmo natural e simples, fazendo coisas de que se gosta cá dentro, com os recursos que temos, sem parar nas angústias do que não temos ou na saudade do que já tivemos.

Bom dia e TUDO DE BOM

sábado, 19 de abril de 2014

Gordos, gulosos e mal informados

Adaptado de um texto escrito em 2005!

Os portugueses estão mais gordos, mais gulosos e mal informados. Consomem mais e pior. Empanturram-se de açúcares e gorduras, impelidos pelo marketing e pela publicidade. Engordam a indústria alimentar e a do açúcar e contribuem para as maiores epidemias mundiais.

Dados recentes comprovam que uma epidemia de diabetes e outra de obesidade estão a atingir o mundo, principalmente nos países mais desenvolvidos onde a sociedade do consumo e da abundância promove hábitos sedentários e uma alimentação exagerada em açúcar, gorduras e sal. Estamos a adoecer por comer demasiado.

De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a diabetes mata mais do que a SIDA. Em 2005, em todo o mundo, existiam cerca de 177 milhões de diabéticos. Esse número chegará a 366 milhões até o ano 2030. Em 1985 eram apenas 30 milhões!

O problema é de tal modo grave que a OMS aprovou em Maio de 2004 a Estratégia Global para a Dieta, Actividade Física e Saúde. Nesse contexto, todos os países são convidados a desenvolver medidas de promoção da saúde, de educação e de actividade física.

A diabetes pode ser evitada com uma alimentação saudável e actividades físicas regulares. O controle adequado da doença pode retardar ou evitar complicações e muitos gastos. A OMS estima que os custos directos do tratamento desta doença cresçam dos 2,5% actuais para 15% nos orçamentos anuais de cada país em 2030!

A outra epidemia, a obesidade, pode ser contrariada também pela informação mais rigorosa sobre os prejuízos que os alimentos causam à saúde humana, pela actividade física mais continuada e pela educação alimentar.

Estas doenças são as maiores causadoras de morte e de gastos com a saúde nas sociedades desenvolvidas, necessitando de uma intervenção rápida e integrada dos governos. Todavia, como percebemos em Portugal, esta preocupação não faz parte das agendas governamentais.

Apesar do grave problema que se manifesta nas elevadas taxas nacionais de pessoas com tensão arterial elevada, com peso excessivo, com problemas derivados da diabetes, com deficiências cardiovasculares de diversos tipos, não temos uma política integrada de prevenção da obesidade e da diabetes. Quando um ministro fala em impostos, o outro, da Economia, chuta para canto. Não fosse ele um profissional das bebidas açucaradas e alcoólicas.

Efectivamente, embora se saiba há alguns anos da importância deste problema para a saúde pública, os sucessivos governos não defendem a saúde dos portugueses. 

Mas o que assusta mais é que este é um assunto envelhecido. Um tema tão importante do ponto de vista económico que, por exemplo, nos Estados Unidos da América, levou o cartel do açúcar a ameaçar o Governo de retaliações caso avançasse com limitações à quantidade de açúcar utilizada ou pretendesse limitar a publicidade aos alimentos!

Um trabalho da National Geographic portuguesa (de Agosto de 2004) demonstra bem como a indústria alimentar – utilizando imagens e produtos da Coca Cola, McDonalds e a Hersheys (uma marca de chocolates) – aumentou as suas doses desde 1900 até hoje, incrementando o consumo em quantidade e em calorias!

Em Portugal, já houve casos em que os refrigerantes subiram o teor em açúcar para serem mais apelativos e mais consumidos. Os rótulos, habitualmente, disfarçam o açúcar com o nome de dextrose, frutose, etc. Na Europa, sabemos que a política de rotulagem dos alimentos não consegue tornar evidente para os utentes a quantidade de açúcar de um alimento (bebida ou comida).

O excelente trabalho de informação da National Geographic aponta algumas doenças hepáticas, o cancro do cólon, as osteoartrites, a diabetes tipo 2, os acidentes vasculares cerebrais (tromboses) e outras doenças cardíacas como os mais importantes reflexos da obesidade. Mas, são apenas as mais comuns!

Ao mesmo tempo que desfrutamos dos estilos de vida mais luxuosos (pela sociedade de consumo que desenvolvemos no últimos anos), da abundância alimentar, do trabalho automatizado, do prazer sem esforço e do conforto, somos inquinados de açúcar e gordura. Isto porque a nossa escola não ensina nutrição, o Instituto do Consumidor não se mexe e o Ministério da Saúde dá prioridade às questões da gestão e do orçamento em vez de dar atenção à qualidade e bem-estar das populações.

Ou seja, somos enrolados – não sei se por vontade deliberada, influência alheia ou puro desconhecimento dos governantes – numa teia comercial de doenças causadas pela alimentação! Afinal, a doença mais mortal da actualidade é a combinação da comida com o estilo de vida, salpicada por pedacinhos de marketing irresponsável.