sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Carinho das Avós

O afeto que recebemos é um tesouro que temos para o resto da vida. O carinho guardado enquanto pequenos, transforma-nos. Ensina a Amar, a suportar as perdas e as frustrações que a vida nos traz.

O Carinho das Avós, como o de todos os que nos dão aconchego enquanto petizes, é um fonte de resiliência e de uma vida feliz. Por vezes, é a ela que vamos beber a alma para decidir, bem como a força para enfrentar contratempos, sentindo, que somos dignos e temos imenso para dar aos outros, mesmo que os bolsos estejam vazios! 

Este é o valor invisível dos «velhotes» que nos cuidaram e educam. Prolonga-se no tempo, por gerações sucessivas de netos. É um pilar de felicidade coletiva que importa preservar se formos conscientes.

Nós (os dois, marido e mulher), tivemos muita sorte ;)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Empreendedorismo responsável

Queremos uma Humanidade Saudável e Feliz. Devemos aproveitar todos os contextos para aprender e para desenvolver uma atitude empreendedora e responsável. Precisamos de construir uma cultura libertadora que permita expressar os talentos. Assim desenvolveremos uma comunidade próspera e livre capaz de edificar a sua Felicidade.

Será que felicidade e prazer são a mesma coisa? A resposta é negativa. A Felicidade é um estado de Paz (interior e exterior) e Harmonia, que perdura no tempo e funda-se num sentido de construção da Humanidade. O Prazer, essa coisa maravilhosa que se sente quando se conquista uma vitória ou se pratica sexo, é efémero. Por vezes, tolda a nossa visão sobre a vida.
O Empreendedorismo é a chave da construção da Felicidade!
Insensato, dirá o leitor. Se assim é, porque vivemos numa sociedade à beira do colapso? O empreendedorismo de carácter empresarial, tem servido, acima de tudo, para criar uma economia baseada no consumo. Cria prazer, satisfaz as necessidades e desejos dos clientes e, de acordo com o pensamento económico e de gestão mais corrente, acelera os processos de circulação de mercadorias e bens para gerar riqueza. Por isso, cria a bebedeira do consumo, a cultura do efémero.
            Mas empreender não é só criar uma empresa com fins lucrativos e acelerar o ciclo dos produtos. Existe um outro leque de acções empreendedoras de extraordinária importância que prestigiaram Ghandi, Churchil, Madre Teresa de Calcutá, Einstein, Agostinho da Silva, entre outros.
Afinal, o que representa Empreendedorismo, essa palavra desconhecida dos dicionários portugueses?
É a capacidade de pensar, planear e concretizar uma acção, investindo energias e tempo, com um sentido determinado, obtendo resultados. No fundo, é o acto de «concretizar uma empresa» como a viagem de Vasco da Gama à Índia. Na componente económica, é a capacidade de transformar as ideias em mais-valias e em bem-estar, gerando processos de troca com valor acrescentado para as partes envolvidas. A virtude do empreendedorismo é a de concretizar o pensamento.
O Empreendedorismo é, acima de tudo, uma atitude que conjuga pensamento (de preferência consciente e responsável) e acção (respeitável). Algo que, em Portugal, é pouco desenvolvido em casa, raramente nas escolas e não é acarinhado nas empresas!
Esta atitude está presente quando nascemos!
Sem qualquer treino, desde esse momento, procuramos as condições para a sobrevivência. O acto de empreender baseia-se no mesmo processo de vontade que nos impulsiona para aprender a comunicar e a falar, a caminhar, a andar de bicicleta (assumindo riscos), a imitar os outros, sempre no sentido de alargar o poder de acção e de interacção. Está no nosso «código genético» de sobrevivência e crescimento.
Todavia, neste país simpático, essa vontade de crescer e de concretizar é maltratada na infância e na família onde a educação promove a repressão das ideias diferentes e da acção. Até dá prémios à inacção! Na escola, ensinamos as crianças a repetir em vez de criarem. Nos empregos, colocamos as pessoas debaixo das ordens de patrões e chefes de repartição, em vez de conviverem com líderes empreendedores e aprendentes. Vamos matando a atitude empreendedora, à medida que a criança se faz homem. Fazemo-lo de modo indolor e brilhante!
Belmiro de Azevedo tem razão quando afirma que Portugal tem poucos líderes. Também tem poucos empreendedores, poucos professores que desenvolvam talentos, poucos gestores que criem contextos organizacionais aprendentes e poucos pais que invistam verdadeiramente no apoio à auto-construção dos filhos!
Sem estes, é difícil manter a competência aprendente e empreendedora que permite que cada um construa a sua Felicidade com uma preocupação ética. É uma questão de educação.
Nos últimos anos, assistimos a uma mudança radical na sociedade e nas crenças do mundo ocidental. É uma transformação que tem como início a crise do petróleo de 1973, prolonga-se pelos anos oitenta com o pós-modernismo, passa pela Conferência do Rio e a elaboração da Agenda 21 em 1992, para se acentuar a partir de 1997 com a Web e a massificação da Internet. Este período, parece culminar com o 11 de Setembro, sublinhado pelo 11 de Março em Madrid. Nessas datas, ficou patente o horror que podemos viver se esta mudança for feita sem a integração de todos.
Este ciclo com cerca de 30 anos representa a infância e a juventude de uma nova sociedade global e de uma economia digital que não conhecíamos! Esta crise de crescimento da Humanidade, leva-nos à Sociedade do Conhecimento (e da Aprendizagem), uma sociedade globalizada pelo pensamento filosófico e científico e na acção dos mercados. É um novo mundo, que mal vislumbramos. Novos desafios e oportunidades.
Para o enfrentar, devemos construir uma atitude de matriz empreendedora e aprendente nas comunidades territoriais, nas organizações, nas equipas, nas famílias e nos indivíduos. Temos de promover ambientes de aprendizagem e de expressão das competências que permitam obter sucesso e felicidade.
Devemos, por isso, acarinhar um empreendedorismo empresarial responsável, humanista, aprendente e sustentável que, no campo empresarial, é desenvolvido com a abordagem de Responsabilidade Social das organizações (visível em www.ethos.org.br ou em www.bcsdportugal.org), um dos motores da mudança para a Sociedade do Conhecimento e da Aprendizagem.
            Mas, também precisamos de cultivar as lideranças democráticas e emancipadoras, a cultura da descoberta e do risco controlado, a cidadania. Sem estas, o extraordinário progresso da sociedade e da tecnologia que nos permitiu prolongar a esperança de vida desde os 40 até aos 90 anos, tem pouco sentido.
Aquilo a que assistimos agora, fruto de um mau empreendedorismo e do percurso histórico de uma sociedade insensata, é à vitória de uma visão míope que não responde ao âmago da questão: como construir felicidade para as pessoas?
Esta visão, desvalorizou continuamente a espiritualidade e a religiosidade, numa atitude que importa contrariar. A falta de cultivo da primeira, afasta-nos do sentido de coerência do indivíduo com a Humanidade, através das organizações e dos territórios, e a falta de atenção à segunda, desliga-nos dos princípios morais que equilibraram as sociedades. Esquece também os contributos dos pedagogos e filósofos do início do século 20 e as recentes descobertas das Neurociências sobre a componente da emoção e da vontade.
            Felizmente, a carência de uma cultura empreendedora, de aprendizagem de responsabilidade democrática e de cidadania pode ser contrariada pela acção consciente da família, das organizações, da comunidade e da escola. Basta que queiramos empreender nesse sentido, planeemos e invistamos nessa acção.

O tempo, encarrega-se do resto, e os nossos netos escreverão a nossa História!

Texto escrito em Março de 2006, numa altura em que tratava continuamente estes temas!

domingo, 23 de março de 2014

Os 3 eixos da mudança

De que me serve ser rico se não puder sair à rua em segurança? Para que serve ser rico se não puder ser aceite na minha diferença e feliz na minha abordagem? 

Será mais importante estabilizar a economia hoje ou reformar o processo educativo das mais jovens gerações, para que a saibam manter sustentável? E qual é a importância da educação para a saúde, da educação física e mental ou relacional?

A Economia não é a base de tudo! Mas, a consciência e a negociação, talvez. Por isso, precisamos, por ordem decrescente de importância, de:
        
1.       Mudar a Escola (um investimento de longo prazo)
A escola deve ser um instrumento de educação cívica e de partilha de conhecimento, baseado em processos de participação e cidadania ativa responsável. Não se pode circunscrever a um centro de formação e de reforço de desigualdades.

2.       Mudar a governação política (urgente)
A política tem de ser uma nobre arte de debater, negociar e promover o desenvolvimento, numa abordagem plural e criativa. Não é um modo de vida (cheio de privilégios) para incompetentes, medíocres e corruptos, que se assemelham a bandidos.

3.       Mudar a comunicação social (mais urgente ainda)
Para ser um espaço de exploração de ideias diversas, de consciencialização plural, diversificado. Não pode ser um espaço manipulado por indivíduos eticamente inaceitáveis.

E estes serão os 3 alicerces da criação de uma boa Economia do futuro. Tudo o resto, são cuidados paliativos e manipulação de papalvos! 

terça-feira, 4 de março de 2014

O Carnaval dos bandidos


O ódio dos jovens políticos do PSD aos funcionários públicos tem origem na forma como eles olham para aqueles, mas acima de tudo, pelo obstáculo que os mais competentes representam para a sua estupidez e incompetência!

Efetivamente, na função pública – nobre função de promover uma sociedade mais equilibrada através do serviço ao outro – existem 3 tipos de «colaboradores» que os irritam por se constituírem como obstáculos às «suas vontades».

Uns, são «os ronhas», aquela malta que se encontra em todas empresas (públicas e privadas), que pouco fazem, pouco sabem, mas adoram dizer mal! Normalmente, socorrem-se dos discursos do desgraçado e inscrevem-se nos sindicatos para estarem protegidos na sua incompetência. Denigrem o valor do sindicalismo sério. Normalmente, transformam-se em líderes sindicais, prestando um péssimo serviço à sua profissão. Felizmente, são um número ínfimo. Mas chateiam!

Depois, existe um grupo de carneiros esforçados/dedicados que com pouca criatividade desenvolve o seu trabalho por rotina, tendo dificuldade em mudar as práticas, aceitando as ordens dos «seus superiores» (antigamente competentes, hoje em dia, normalmente, jovens inexperientes dos partidos do poder)!

Por fim, há um grupo, possivelmente o que tem maior representação, de «Competentes». Para os jovens imberbes da política, estes profissionais são terríveis e um alvo a abater porque: sabem mais, sabem fazer, conhecem as leis, são tecnicamente consistentes, são inteligentes e adaptativos (do melhor que conheço) e, por isso, uma ameaça à incompetência dos «meninos da política»!

Ou seja, no entender desta malta (políticos imberbes do PSD/PP ou de qualquer liberalismo estúpido e desregulado), os funcionários públicos são uma corja que convém abater. Além do mais, custam dinheiro que podia ser usado nas consultorias dos amigos.

Por isso, toca a denegri-los e castigá-los, apesar de serem polícias, juízes, enfermeiros, médicos, reguladores, etc. ou seja, funções essenciais à vida civilizada. Se só existisse mercado, os seus serviços apenas estariam ao alcance de uma pequena quantidade de cidadãos!

Por isso, hoje, que é dia Carnaval, os funcionários públicos mais sacrificados e competentes foram trabalhar enquanto todo o resto da malta descansa e «os ronhas» se mantêm na mesma. Por isso, amanhã, todos pagarão mais impostos! Afinal, até merecem, porque votam neles! 

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Que ENORME E VIL INJUSTIÇA!

Na maioria de lares (asilos) de 3ª idade que visitei e conheço, de norte a sul, posso afirmar que, nos últimos 10 anos, houve uma imensa melhoria. 

Mas, aquilo que é  triste de ver é o deserto afectivo que a desresponsabilização dos filhos, a mania da Qualidade e o excesso de técnica criaram.

Nesses espaços, onde, habitualmente estão pessoas debilitadas, na sua 4ª idade (oitenta e poucos anos), perdendo a cada dia um pouco mais da sua esperança e das suas condições físicas de autonomia, o que os «velhos» mais querem é um dedo de conversa.

Aliás. Não é um dedo. É, efectivamente, que algo ou alguém lhes mostre que não são um fardo, apesar dos seus limites. Não são lixo. São PESSOAS que, numa fase avançada da vida, depois de terem dado vida e cuidado de muitos outros, estão numa situação de dependência, depressiva, carregando consigo um pesado fardo de sofrimento, por ausência de afeto!

Mas, efectivamente, este é apenas o fim de um ciclo de envelhecimento a que nós, sociedade hipermoderna (ultra estupidificada) devotamos aqueles que já não trabalham!

O processo começa muito antes, desde o início da desocupação laboral. A organização social e a maioria de nós encarrega-se de lhes mostrar que pouco valem ou são um fardo. Ou seja, nos olhares, nos silêncios e nas palavras soltas e distraídas que por vezes nos saem da boca, comunicamos-lhes, que já estão fora do nosso progresso, já não são dignos de viver na nossa sociedade, … porque já nos dão pouco!

E, um dia, um estúpido de um ministro, chega ao ponto de afirmar qualquer coisa como: «não podemos manter os gastos que temos com as pessoas que não trabalham!»

Por isso, não só estou triste com a falta de Cultura e de Decência deste governo, como me revolta que estes estúpidos, e os que neles votaram, possam decidir a vida dos mais velhos e das gerações seguintes com base num conjunto de ideias e princípios totalmente desumanos.

Cada PESSOA, nova ou velha, é uma enciclopédia única de testemunhos que mais ninguém viveu, que, um dia, na velhice, «ninguém» quer ouvir e carregar. Que ENORME E VIL INJUSTIÇA!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Orgulho de ser português

Orgulho-me de ter nascido numa nação (numa identidade) que se chama «Português». É um modo específico de sentir, com base numa língua comum, na Ásia, em África, nas Américas e na Europa. Mas, não sou nacionalista, na perspectiva de superioridade ou de diferença. 

Carinho, ternura, amargura, saudade, desenrasque … são significadoss que só um «Português» consegue sentir na sua matriz cultural de muitos séculos.

Tal facto, não o faz superior, apenas o distingue e une, se ele quiser.

Ser português é ser portador de uma experiência de vida de muitas gerações abertas ao mundo; É transportar na alma uma cultura global que se constitui há mais de 1000 anos; Ser conciliador de hábitos árabes, judaicos, ibéricos, saxónicos e celtas, fundindo-os continuamente com uma perícia visível na magnífica gastronomia Goesa.

Ser «Português» é ser mundo, se tivermos a inteligente coragem de valorizar a nossa cultura a par das de outros cantos do mundo.

Ser português é, eventualmente, ser livre, não depender de teorias marxistas, neoliberais, «fechadistas», fascistas em que muitos se amarram para criar a sua vida numa estúpida simplicidade, limitados, desconhecedores, incapazes de ligar as múltiplas peças de que se compõe a nossa vida.

Ser «Português» é, para mim, um enorme orgulho que se entristece quando vê incultos limitados serem eleitos como presidentes ou primeiros-ministros desta Nação, a minha Pátria: a Língua e a Cultura Portuguesa que ainda se expressa em Portugal!

Texto reflexo do seguinte post do meu primo luso-brasileiro-japonês, nascido em Elvas: Acabo de assistir no canal curta! ao documentário "Tempo Rei" 30 anos, sobre Gilberto Gil e lembrei de como o conheci no Japão. Ele veio fazer um show em Kanazawa, cidade onde eu morava e na galera que o recebeu eu era o único que falava português. Conversamos muito (ele me chamava de Adalberto e eu não o corrigi). Me convidou para o show no dia seguinte, a mim, Maria Estrela e Maria do Sol e nos dedicou a primeira música. Na conversa do dia anterior, havia me pedido que lhe enviasse um livro sobre a história do Japão, que muito lhe interessava, o que nunca fiz e pelo que me sinto até hoje culpado. Peço hoje publicamente desculpa, até porque nos percursos frequentes de carro que fazia a trabalho sua música sempre me acompanhava de forma quase obsessiva. Não conheço nada que seja mais BRASIL do que ele. (Alberto Cidraes, Facebook, 22.2.2014) e das minhas conversas com a Carla e o Zemas sobre o «Viver a Casa e a Rua no modo de Cabo Verde», mesmo aqui, em Lisboa, na Cova da Moura, e lá, bem longe, no meio do mar, em Santiago. Todos estes são os traços de um Portugal especial.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A ilusão castiga

A decisão, a ação e o sucesso são, sem margem para dúvida, mais definidas pela emoção do que pela razão. Mas, estas essências existem num contexto que as condiciona muito para além do que desejamos.

Desta constatação, nasce a necessidade de saber estar atento ao mundo, aos outros, interpretando, constantemente, com diversas perspectivas, a realidade que nos envolve, aprendendo e ganhando consciências sobre os factos e as sensações. É aí que entra a razão, para nos enriquecer de sabedoria.

A conjugação entre estas duas dimensões (emoção e razão), a que se junta a competência relacional e a espiritualidade, gera a capacidade para dominar uma ínfima percentagem da vida, do nosso destino. 

Infelizmente, demasiadas vezes, temos a ilusão que dominamos a existência pela razão, entrando num surrealismo esquizofrénico que nos castiga até à exaustão.