domingo, 23 de dezembro de 2012

Os Maias tinham razão


Os factos comprovam! Ser manhoso e rico, é fator de sucesso.

Com dinheiro e pouca ética compram-se favores da imprensa, bancos e advogados indecentes, daqueles que bem conhecemos nas parangonas dos jornais, os que fazem e contornam as leis, descontraidamente, vestidos de fatos e gravatas de cinco mil euros, aparecendo todos os dias na TV!

Ser licenciado e decente, em Portugal, é um factor de pobreza. Que o diga Samuel Diarra, 65 anos: «Sou natural do Mali, fui professor de francês na Costa do Marfim. Vim para Portugal há 24 anos. Trabalhei como servente na construção civil e depois negociei ferro-velho, até que fiquei desempregado e decidi aceitar vender a revista CAIS. (…) A minha grande paixão é escrever poesia. Tenho imensos poemas e gostava, um dia, de os ver publicados num livro.» (http://www.cais.pt/testemunhos) 

Por isso, meus amigos, não se esqueçam que é tão importante ir à escola (dita superior) como estar consciente sobre a sociedade em que vivemos e fazer um curso de poder e sacanice.

Em Portugal, as pessoas sérias e promissoras empobrecem! Os outros mudam as regras, gozam com o povo, chegam a ministros e presidentes. É este o paradigma da sociedade liberal pós-CEE.

Onde chegámos? Ao fim do mundo! Os Maias tinham razão.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

As 7 dimensões da Arquitetura


De acordo com a Teoria do Tudo, a realidade tem 11 dimensões, 3 visíveis, outras tantas, imprevisíveis! 4 já as conhecemos com algumas limitações. São três relativas ao espaço (profundidade, largura e altura) e uma outra que Einstein revelou: «o tempo».

Na criação de soluções, a Arquitectura considera 7 dimensões e a engenharia 4, embora, muitas vezes, desvalorize a componente histórica do tempo. Por esse motivo, é difícil que os diferentes discursos e linguagens se entendam. Os primeiros criam emoções e sentidos nas suas obras. Os segundos buscam apenas a funcionalidade objetiva, por vezes, com alguma estética.

A Arquitetura é um campo que fascina pela sua complexidade, integralidade e imaginabilidade. Ultrapassa, em muito, a frágil concepção da engenharia na percepção do Todo! Mas, por vezes, descarrila para o inestético, irreal, disfuncional, embrenhando-se na disléxica metafísica da forma e na plasticidade do discurso … bem revelada nesta conjugação ambígua de palavras que acabo de discorrer!

A Arquitetura, a boa e excelente, mesmo que não exuberante, vai além das «4 dimensões do real concreto». Foca-se também na perspetiva (construindo ideias e diferentes apropriações emocionais, com estética), nas relações, com o contexto, e na transcendência, tentando tocar a Alma dos Lugares.

Combina, pelo menos, 7 dimensões que, por vezes, os mais frágeis arquitetos não dominam nas suas obras, mas outros usam com mestria ... e a nobreza dos engenheiros mais habilitados;-).

Infelizmente, a manipulação segura das 7 dimensões fica fora do intelecto da maioria esmagadora da população, perdendo sentido e significado colectivos. Aí, … perde-se o seu Valor. É uma pena!

Talvez o uso brilhante de 6 dimensões e de um discurso inteligível revalorizem esta nobre arte/ciência do saber criar espaços e objecto de referência e relevância, num contínuo de interação dos arquitetos com o povo. Seríamos mais felizes em conjunto?

Daqui a 20 anos


Daqui a 20 anos, estarei reformado … ou nem por isso! Pergunto-me: «Como será Lisboa em 2033?»

No caminho que levamos, a sua paisagem aproximar-se-á das imagens de Caracas ou de Havana, com menos jovens, mas com mais pobreza e desigualdade, com infra-estruturas envelhecidas, a falhar, mais edifícios e bairros degradados! Contrastando com o ciclo de valorização que teve nos últimos 20 anos!

A menos que quase tudo mude, daqui a 20 anos, será uma cidade de ricos e pobres, relembrando outros tempos que julgávamos passados, mas, agora, uma cidade de velhos, imigrantes e individualistas. Já o é! Mas ainda há dinheiro para tratar o espaço público e para disfarçar a pobreza!

Os investimentos do Estado na melhoria do espaço público e das infra-estruturas essenciais à qualidade de vida urbana continuam a aumentar! É preciso cobrir estes custos, com o dinheiro dos impostos (nacionais ou locais) de quem trabalha. Com o desaparecimento do emprego e o envelhecimento da população, não haverá disponibilidade de dinheiro para «estes luxos»! 

Em 20 anos apenas! Todos os Lisboetas terão menor qualidade de vida, graças à inconsciência dos cidadãos e aos governos que temos tido! Regressaremos ao campo, iremos para outras terras, ou estaremos dispostos a mudar?


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Recuperar Portugal


Aquele que desafia o corpo e a mente, cresce. Desenvolve-se. Continuamente, busca, com um sorriso, novos desafios, novas experiências, novas aprendizagens. Quem se coloca à prova e cresce, mesmo no infortúnio, mantém-se jovem, não envelhece. Apesar de estar, cada vez mais idoso!


Ganham poder os que enfrentam os medos e as convicções. Os que soltam e exploram a imaginação, aproveitando a intuição e o intelecto, as memórias pessoais e as dos outros! 

Uma das carências educativas que temos é a da falta de capacidade de experimentar, diariamente, esta atitude com os filhos e com os alunos. Por isso nos tornámos uma sociedade que se atrasa nas épocas de grande mudança!

Em tempos, nos Descobrimentos, não era assim! Não havia escola! Mas existia ambição, inteligência e ação estratégica. A necessidade de sobreviver e a vontade de crescer impeliam para o arriscar e fazer. Os líderes da nação aproveitaram este querer. 

Até que, calmamente, nos sentámos à sombra do ouro, à espera dos ventos favoráveis, para, depois, açoitados pela inveja, entrarmos em guerra civil, durante cerca de 50 anos!

Assim perdemos Portugal, ... que poderemos recuperar, se desafiarmos a mente, com o pouco dinheiro que temos, com um vasto património de história, imaginação e ação ... cooperante e arrojada.

Que chatice!


As tabelas salariais são uma chatice. Igualizam, desmotivam, nivelam por baixo a vontade de vencer e de crescer! Servem de padrão para a (in)justiça social! 

Porque são mal usadas, tornam-se elementos de desmotivação dos melhores e de reivindicação estúpida dos piores … no desempenho da sua função. 

Iludem, criam a ideia de que cada posto de trabalho é igual ao dos seus pares! Puro engano em mais de 90% dos casos.

Directores, técnicos de serviço social, educadores, médicos, enfermeiros, professores, «balconistas», vendedores … todos dependem da forma como tratam cada uma das relações que estabelecem. Criam valor pelo que fazem e comunicam, pelos resultados que alcançam. Nunca são iguais, apenas, eventualmente, semelhantes!

O desempenho só é igual, às vezes, nas fábricas, onde o ritmo e a qualidade do trabalho são definidos pela rotina repetitiva e estúpida! Onde a pessoa é uma peça, prolongamento da máquina. Em tudo o resto, o trabalho varia imenso de pessoa para pessoa, de acordo com a sua entrega e as competências que aplica!

Não se justifica pagar o mesmo a quem cria desagrado, prejudicando a imagem de uma organização ou a quem gera soluções criativas, inventivas, extraordinárias, criando satisfação, prestígio e um «valor excecional» aos seus patrões/clientes.

As tabelas salariais são referências promotoras de injustiça, apenas contrariada por prémios de desempenho, resultantes de avaliações sérias, integradas e formativas!

Numa sociedade de pessoas inteligentes, informadas e responsáveis (que não é bem o caso de Portugal) assente nos serviços, na criatividade e na relação, as tabelas salariais poderiam ser um padrão de base, um referencial de salário mínimo a partir do qual se pagariam acréscimos/prémios a quem apresenta melhores desempenhos!

Mas não! São usadas como referências equalitárias para proteger o dinheiro dos patrões, reduzindo a entrega, o mérito e a qualidade do trabalhador a simples palavras de retórica.

Afinal, as tabelas são, atualmente, uma das razões para a falta de competitividade, de emprego e de entrega dos trabalhadores. As outras, que as reforçam, são a cultura dos patrões e sindicatos. Estão todos a viver num passado que já não existe, que as universidades e a comunicação social tendem a preservar, estupidamente!

Depois, como sabemos, temos um défice estrutural de produtividade, competitividade e emprego. Que chatice!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fora de tempo!


Há algo que me magoa … continuamente!

Estar na margem, incompreendido, olhado como estranho, visionário ou irrealista, ser incapaz de mostrar a evidência, estar fora de tempo … dos outros!

Há 30 anos iniciámos as vitórias das listas independentes nas associações de estudantes. Esmagámos os partidos! Há 15 anos, inovámos no Marketing Territorial! Há 12, no e-learning! Há 10, no empreendedorismo e no coworking [Empreender +]! Tudo fora de tempo para um país fechado, atrasado, incapaz de se adaptar. Tudo isto, hoje, está na moda!

Sou um génio? Não! Claro que não! Vi melhor? Fui o único? Não. Nada disso. Nunca! 

Apenas compreendi o que outros viram também numa escala global, neste tempo, por esse mundo fora. Quase copiei, ideias e conceitos de pessoas que andam na crista da onda nas diversas temáticas do conhecimento. Olhei para as américas do sul, os EUA, a Dinamarca, o Canadá, a Ásia, a ONU, para todos aqueles que buscam construir um mundo melhor, integrador, com outras soluções! Fiz o óbvio para quem se cultiva com espírito aberto! 

Fiquei só! Com os meus pensamentos!

Pensei, falei e senti, até agi, fora de tempo!

É terrível estar fora de tempo! Num país que vive sem tempo! Parado, atrasado! Custa, muito, ver a estupidez emperrar tanto!

Não apenas a estupidez (limitação auto-induzida das ideias) dos outros, também a minha. A minha incompetência para ajudar os outros, em tempo útil, a descobrirem a evidência do caminho!

Felizmente, há Alentejo e essa coisa extraordinária: a música. Refúgios especiais que não têm tempo e acalmam o isolamento!


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Demasiado!


Demasiado informados, demasiado possessivos, demasiado ocupados, demasiado preocupados, ... demasiado tudo. 

Muitos de nós, corremos demasiado, pressionados. O cérebro já não é capaz de suportar tanto peso de informação, relação e de emoção! A alma diverge sem que nada alcance para além da agri-doce sensação de ter corrido! Sem grande razão.

Porque queremos mais, queremos tudo, queremos o mundo. O horizonte, o paraíso e mais além.

Nessa ânsia louca de agarrar tudo, dispersamo-nos, perdemo-nos e desgastamo-nos. Num ápice, a vida passou! Vivemo-la intensamente e morremos, sem ter curtido os momentos de afeto, sem saborear o vento que sopra o contemplamento da alma e da calma. Para quê?

Ai como é bom voltar a viver o Alentejo ;-)