sábado, 20 de outubro de 2012

Muda


Quando deixas de olhar para a frente, sem espírito de conquista e desafio … as memórias amarram-te. Ficas preso. Tolhido! Por vezes, perdido. Pouco importa a idade. Estás velho. Olhas mais para trás, com nostalgia, do que para a frente, com ambição. Perdes gás, sem energia, num repente, mais rápido do que julgas, morreste, apesar de vivo. É indecente.

Muda, de novo, o ponto de vista. Busca, além do que se avista.

Os retrovisores são para espreitar num instante, de vez em quando. Não conduzas a vida a olhar para os espelhos. Ficas triste, ultrapassado, deslocado, focado apenas nas memórias do tempo … atrasado. Quem vive de memórias, sente a alma morta enquanto o corpo se consome sem chama, numa triste modorra do destino. Que desatino.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Líder, psicopata ou demónio?


Quando nos cruzamos, na rua, com um rapaz sorridente ou encontramos pela frente um líder entusiasmante, cuidado, pode ser um psicopata.

A diferença é mínima. Está nos seus genes, na sua educação, na sua infância, na adolescência e nos momentos passados, nas experiências marcantes da vida.

O comportamento humano é o resultado de uma complexa rede genética e neuronal que, um dia, num certo contexto, dispara o gatilho comportamental. Pode ser violento, animalesco, brutal.

Na tenra infância, o aconchego emocional, o treino do carinho, do afeto e do Amor, podem fazer a diferença. Reforçam a empatia, a atenção ao outro, a preocupação e o respeito. 

Ao longo da vida, as brincadeiras e os desportos coletivos equilibram a mente, combinando testosterona (a proteína da agressividade) e ocitocina (a da empatia e solidariedade).

Mas, no melhor pano cai a nódoa. Nas piores famílias (ricas e pobres) falha o amor e cresce a competição! Criam-se sobreviventes, egoístas, psicopatas, que se transformam em demónios, escondidos por detrás de vestes agressivas ou magníficas gravatas. Não deixam de o ser, educados para esse fim. A escola não faz milagres ;-)

sábado, 13 de outubro de 2012

Lágrimas de vida


Há lágrimas boas,
e outras excelentes,
que nascem na face,
num desejo cumprido,
numa relação conseguida.

Há lágrimas boas que vêm de fora,
em doce gratidão pela vida.

Há lágrimas tão boas,
como aquelas que sinto,
quando os «queridos»,
alunos vividos,
mostram que crescem e retribuem.

Há lágrimas que ficam,
para sempre,
guardadas na mente,
enchidas de gente,
bailando memórias de vida.

São Lágrimas,
quentes e boas,
que miúdos e graúdos, adorados,
trazem alegres, para saborear.

Felizmente,
com paixão,
sou professor.

Partilho momentos,
de aprendizagem,
com muitos alunos,
«simples» pessoas.

E há gente que ama,
sem se calar.

Brotam e fluem, 
Lágrimas de Vida,
quentes e boas,
para guardar.

OBRIGADO ;-)

A vida não é uma guerra, ...


... a vida não é uma batalha! Nem muitas. Nem sequer um jogo.

São momentos que passam, por vezes, juntos! Pedaços de tempo em que nos unimos ou sorrimos, uns com os outros. Numa insensata subconsciência que nos ordena e norteia, para que haja um sentido, imaginário e transcendente.

A vida é um multiplicatório de experiências e consciências que, por vezes, ficam nas memórias.

Podemos vivê-la e curti-la. Passar por ela ou perdê-la, distraídos em momentos de guerra, na conquista vã de clientes, na busca de sucessos e medalhas.

Mas, mais do que tudo isso, a vida é uma imensa oportunidade de experimentar os pequenos nadas e as magníficas obras desta Terra. Das pessoas que nos rodeiam.

Para quê, desperdiçá-la na vã glória das vitórias e nos conflitos?


domingo, 7 de outubro de 2012

Avatar PANDORA


Um dia, com tecnologia, poderemos mudar de corpo. Dominar o mundo, as ideias e os neurónios. Fugir para outros planetas. 

A ciência avança. A ética transforma-se. O Amor atrasa-se!

Entretanto, através da guerra, os índios foram chacinados, a natureza destruída, o poder conquistado! Depois, vieram outras batalhas, por esse mundo fora, na Europa, na América Latina, no Extremo Oriente, na Indochina, no Vietname, no Afeganistão, na Somália, na Serra Leoa, no Iraque, na Líbia, na Síria … por todo esse mundo fora.

Eram índios, dirão alguns! Atrasados, muçulmanos, católicos, o que calhar. Tudo serve para legitimar o domínio e eliminação dos outros.

Com guerras, muitas vezes provocadas, conquista-se terreno, humilham-se povos, destrói-se a diversidade, mata-se a Árvore, destrói-se a Terra!

Para quê?

Pouco importa. Domina-se o mundo. Vende-se. Consome-se. Ganha-se conforto (só para alguns).

Viva o sonho Americano, o negócio da guerra nas promessas de Democracia e Paz! Esconda-se Pandora, a PAZ e a Harmonia, o Amor, enquanto os homens e a terra o permitirem.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ironia, pura, nua e crua


Ouvem-se os pássaros ... na cidade!

É feriado. O último, da República!

Por momentos, não somos esmagados pelo ensurdecedor ruído dos carros nem dos homens que demandam a cidade em mais um dia de trabalho. Pelos diálogos gritantes da crise. Pelos silêncios inoportunos, de desespero, de quem não tem dinheiro para dar de comer a quem ama. O salário ficou no banco, guardado por uma prestação da casa que se vai perder.

Ouvem-se, lá fora, os pássaros cantando … a liberdade de não consumir nem de votar.

Viva a República! Viva a Democracia. Viva a Liberdade ;-) Calem-se os governos que nos retiram o cantar dos pássaros! Com fisgas, havemos de os calar!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Irracionalidades ... e convenções


Os políticos, os empresários, qualquer um de nós, vive das irracionalidades em que acredita, das convicções e emoções que tem, das convenções que adquire.

A maior parte das decisões diárias (75 a 85%, de acordo com diversos estudos de marketing) são irracionais, automáticas, instintivas. Apenas uma parte das pessoas, aquelas que têm uma predominância do hemisfério esquerdo do cérebro, consegue sobrepor a racionalidade à «irracionalidade» do hemisfério direito. 

Nenhum de nós o consegue fazer em relação às emoções!

É por isso que o design e o neuromarketing ganham terreno na política, nos negócios e no desenho dos espaços, tanto na habitação, como nas lojas, nas grandes superfícies e no espaço urbano.

Mas os convencionalismos persistem, porque dão segurança ao cérebro emocional. Reduzem a vigília e o medo. Descontraem.

Não somos tão inovadores como querem os artistas nem racionais como querem os econometristas. Por isso temos esta vida, estes espaços , estas relações e todos os desatinos que conhecemos ;-)

É óbvio. É racionalizável, mas … difícil de controlar. Até para o António Borges (professor universitário e conceituado financeiro).