sexta-feira, 6 de julho de 2012

INTELIGÊNCIA


O sucesso e o bem-estar são o resultado do modo como uma pessoa interpreta a vida, nos contextos, nos momentos e interações que vai vivendo, no modo como o seu pensamento controla as emoções, as atitudes, os comportamentos, através da sua consciência … e do treino!

Este trabalho (processo) de controlo da vida pelo pensamento, carregado de conhecimento e destilado pela sabedoria, vai ganhando relevância ao longo da vida, em direção à máxima autonomia da idade adulta. Para depois decrescer!

Começa, acima de tudo na infância, nos primeiros meses de vida, quando os cuidadores cultivam (ou não) o amor, as experiências positivas e o bem-estar na relação com os seus «protegidos».

Desenvolve-se na juventude quando as referências humanas (os amigos e os pares) nos ajudam a criar novos padrões de pensamento, de emoções e de relações. Mantém-se ao longo da vida, em momentos marcantes de mudança.

É um percurso de aprendizagem e transformação que, aparentemente, acaba quando morremos! Se assim o quisermos, se formos capazes de assumir a vontade contínua de crescer e de mudar!

É a isso que chamo INTELIGÊNCIA: a contínua vontade de aprender e crescer, utilizando todas as formas de inteligência (corporal, emocional, espiritual, relacional e cognitiva) que nos fazem criar bem-estar, individual e coletivo.

É esta SABEDORIA que devemos cultivar, até morrer!  

TUDO DE BOM ;-)

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma 4ª geração de gestão do tempo (GT)


O tempo é imaterial. Não existe, é inventado e sentido de modo diferente conforme a situação em que estamos. Num momento romântico, «passa num instante». Numa obrigação: «nunca mais acaba!»

Todavia, condiciona-nos a ideia de que ele é racionalizável e segmentado. Desde a revolução industrial, o tempo é um recurso de produção. Por necessidade funcional, estruturámos o dia em 24 horas, com 1440 minutos, organizando-os a partir de ciclos solares e lunares, com diferentes calendários: cristãos, islâmicos e orientais.

Não podemos esquecer que, no dia-a-dia, o tempo tem uma dimensão cultural, social e pessoal, é relativo, não existe, mas é o reflexo das nossas vidas. Marca-as e define-as, principalmente na vida em comum. Agora, de modo mais intenso. Emotivo. Stressante.

Hoje, a GT tem de integrar várias estratégias e dimensões de vida em diversos contextos, com diferentes níveis de prioridades (cada vez mais urgentes, mas menos importantes), que têm que ver, primeiro que tudo, com as múltiplas ambições e relacionamentos que queremos ter, com as interações variáveis e crescentes que não dominamos, em sistemas dinâmicos, através de diversas ferramentas de comunicação, com o processamento de dados digitais.

Hoje, no mundo do trabalho, já não se deve gerir o tempo como outrora! Esta sociedade lança-nos numa vida diária de 24 horas em vários pontos do Globo. Deste modo, a GT deve ser feita numa perspetiva adaptada a um ciclo contínuo de vida vivida ao momento, efémero, e com múltiplas relações que se criam e gerem numa 4ª geração de GT.

De acordo com os nossos objetivos de curto e longo prazo (revistos com uma maior intensidade do que noutras eras), deveremos acertar tarefas, compromissos e contactos, sujeitos a alterações constantes e a rápidos acertos metodológicos, devido à contínua transformação tecnológica e relacional em que estamos envolvidos. Não é fácil!

Até 1950, o tempo (e a agenda) estruturava-se a partir da marcação de tempos específicos, rotinados, numa perspetiva de racionalização das tarefas. Era a 1ª geração de GT. Desde a 2ª Grande Guerra (1939-45), a GT passou a ser a tentativa de otimização racional dos tempos de produção e das tarefas, em rotinas em que integrávamos as reuniões e os contactos por telefone fixo. Esta era a 2ª geração de GT, ainda hoje muito utilizada, com fortes prejuízos pessoais, por se pretender acumular compromissos e responsabilidades. Esta perspetiva transformou-nos em escravos do tempo e das agendas!

A partir dos anos oitenta do século passado, com o incremento da concorrência internacional, aparece outra forma de gerir as agendas, muito mais estratégica e centrada na otimização das prioridades e dos objetivos, num contexto aparentemente previsível de competição crescente. Essa era a 3ª geração de GT. Ainda hoje a utilizamos. Já não funciona bem, devido ao crescimento das interações inesperadas e à inadaptação que ocorre frequentemente em relação ao contexto mutante.

As 3 primeiras gerações de GT criam agendas limitadoras no contexto atual. Mantemo-nos agarrados a elas, usando ferramentas que não registam os nossos valores, os nossos princípios éticos, o nosso projeto de vida (variável ao longo da vida). Não permitem alterar as nossas prioridades estruturantes, tudo aquilo que usamos para definir e condicionar os nossos tempos, ações e relações. Não integram a gestão das emoções e das angústias. Induzem tensão e stress. São pouco criativas!

Afinal, ainda usamos tecnologias e pensamentos passados. Com imensos custos de produtividade e de sanidade mental! É a vida, mal gerida!

Tão simples!


A felicidade é um estado de espírito que se cultiva nos ínfimos momentos, respirando pausadamente, não buscando o inalcançável, alimentando boas relações, de ganhos mútuos e múltiplos!

Constrói-se com a sensação de que temos controlo sobre as pequenas coisas que fazemos e de que gostamos, das relações que privilegiamos. Treina-se todos os dias em pequenos passos. Desde um lugar que nos abriga e aconchega até um imenso espaço que imaginamos.

A vida é feliz nos pequenos nadas, com imenso tempo!

Tudo o resto são cantigas. Que nos animam e iludem, arrastando para um amplo espaço de emoções, um caminho de ambições e inseguranças que retiram a paz de espírito e a felicidade! 

Esteja-se livre e atento ;-)

TUDO DE BOM.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Um novo contexto


Pressionados pela crise climática e ecológica, estamos numa época turbulenta de crescimento de poder distribuído, na era do Google, do Facebook e do Marketing 3.0, a caminho de uma nova geração de negócios, de vidas, de interações e interdependências, dominadas pela emergência de novos poderes, de novas comunidades e de outros valores, como afirma Kotler!

Vivemos uma época de fortes transformações, muito para além da crise económica que ocorre na Europa e um pouco por todo o mundo. Esta «mudança» é impressa pelas novas tecnologias e novas gerações. Vai manter-se por muitos anos e aprofundar-se com a tendência de globalização da nova Sociedade Hipertexto: uma sociedade em rede, de múltiplas e cada vez mais frágeis ligações, flexível e interativa que reforça a importância dos contactos e a capacidade de inventar (concretizando) soluções e respostas em momentos de vida cada vez mais apertados, mas em espaços geográficos cada vez mais distantes e multiculturais.

A este propósito, vale a pena ver o pequeno vídeo We all want to be young que o Youtube permite visionar e ler os textos de François Ascher (geógrafo francês, falecido em 2009).

Cada vez temos mais atores com diferentes poder no mundo dos negócios e mais informações disponíveis, que nos chegam dia-a-dia, pela rádio, televisão, computador, etc. Já não chega saber desenvolver um rede de trabalho (networking), é preciso saber criar uma excelente (netliving), na qual existem várias networkings.

Temos mais acesso a recursos, por vezes, mais escassos, e mais ambições.
A competição aumenta, mas a cooperação também. Cresce imenso a independência e a interdependência, tornam-se intensamente pressionantes.
Mas o tempo diário mantém-se o mesmo: 24 horas!

Por isso, precisamos de fazer mais escolhas, sujeitos a mais estímulos e mais ambições. Naturalmente, temos melhores condições para sentir a pressão, o stress. Se não o soubermos compreender e gerir.

Saber selecionar a informação, compreender o jogo em que nos envolvemos, saber escutar, estar com os outros, decidir, planear e executar é hoje essencial para sobreviver e para construir um sucesso, normalmente efémero.

É crucial saber estabelecer prioridades e cultivar relações eficazes, concentrando esforços naquilo que pretendemos concretizar. Hoje, é fundamental gerir a agenda de tempo, a das prioridades e a das relações, numa perspetiva adaptável, por vezes flexível, sem perder a orientação.

É muito fácil, nesta era, passarmos a ser escravos do tempo e das nossas ambições ou relações.

Mas, nas diversas áreas da vida, nós queremos ser exploradores, conquistadores e concretizadores bem-sucedidos! Para tal, temos um recurso, muito valioso e sempre a esgotar-se, que pode ser nosso aliado: o tempo!

Texto publicado na Agenda PROCIFISC 2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Mentiras e equívocos


«Deus criou a Terra e o Homem!» É mentira religiosa. «Deus não existe»! É mentira científica. A nossa vida, a História e o pensamento estão cheios de mentiras e equívocos. 

São mentiras à luz das evidências atuais e da lógica!

Muitos dos atributos agregados a Deus são invenções religiosas e moralistas destinadas a garantir equilíbrios e poderes. O mesmo se passa com as «verdades» da Ciência (económica, social, política, física, etc.).

São mecanismos intelectuais criados para dominar o mundo físico e os medos. Pouco mais. São verdades efémeras que o tempo e o trabalho científico teimam em desmentir passados alguns anos, com novos processos de análise e com novas tecnologias e teorias. Não são verdades universais, são ideias aparentemente comprovadas. Efémeras.

Mas faz de conta que são certezas. Pelo menos, assim, justifica-se a vida de muito boa gente, aquela que acredita que fazendo excelente ciência atinge um patamar de sabedoria próximo de Deus.

A ciência, ou antes, o método e o pensamento científico, apenas comprovam a realidade física. São incapazes perante a metafísica. 

Deus pode existir, assim como o Diabo ou o Espírito. As «verdades» científicas ainda não os tocam. Não os revelam nem os procuram.

Talvez outras formas de experimentação e aprendizagem, como a meditação, a hipnose e o espiritismo, o permitam. Não são comprovadas cientificamente, mas são tão verdadeiras como aquelas em que acreditamos, subjugados aos olhares da Ciência e aos dogmas da religião.

Numa época em que precisamos de respostas integradoras, que acalmem a turbulência da mente e das relações, a religião e a ciência, bem como a filosofia, podem ser recombinadas na busca de sentidos que façam agir melhor no mundo, eliminando mentiras e equívocos.

Partes do pensamento científico e religioso serviram, ao longo dos anos, para legitimar incongruências e mentiras que alimentaram obscurantismos. Afastaram-nos da «Luz Eterna», da «Sabedoria».

O livre pensamento, coletivo, e outras vias podem libertar-nos dessas amarras, criando espaços de aprendizagem que muitos gostam de rejeitar! Mas os poderes instalados da igreja e da ciência, bem como o controlo social, levantam-se continuamente para reprimir o sentido de busca aberta da Alma e da Essência, do sentido do Universo e das Vidas.

Mas tentemos. 


Imaginemos que o nosso intelecto é apenas um mediador entre um corpo físico, vivente na Terra, e uma Alma eterna com outros estados de existência. Imaginemos apenas que o nosso sentido de vida é o de aprender para enriquecer a Alma, passando múltiplas experiências para chegar mais além! Ups. Pode ser verdade e a vida tem outro sentido! Pode ser verdade e, afinal, a Paz (interior) poderá ser alcançada por outra via! Pode ser verdade e, assim, aprender pode ter um sentido muito diferente de ensinar! E tudo o resto, podem ser factos, ocasiões, diversões e equívocos! 

Ups! Quase tudo pode estar por aprender!

domingo, 10 de junho de 2012

Velho, a vida é um ínfimo nada!

Cada um acredita no que quer! Ou, antes, naquilo em que o seu cérebro completo (Alma) é capaz de acreditar. 

Aprender, muitas vezes, é desaprender, libertar-mo-nos das amarras e sonhos que demorámos anos a construir, das redes de ideias sobre as quais oscilamos para ler o universo que imaginamos. Aquelas que, a certa altura, confundimos connosco. Aquelas que imaginamos serem a nossa identidade.

Transformamo-nos em «velhos do Restelo» quando nos recusamos a aprender, a mudar. Depois, inadaptados, deixamo-nos desmoronar, envelhecer. Perdidos, queixamo-nos da vida, ou, revoltados, insurgimo-nos contra eles (o mundo, a vida e os outros, o resto infinito que nos envolve) num forte estrebuchar que revela o sofrimento e a incapacidade de mudar, de aprender de novo e continuar!

A vida não são só factos. É, acima de tudo, o modo como os interpretamos e os vivemos. A forma como o nosso cérebro está programado para pensar, comunicar e agir … numa sequência variável e descontínua de momentos que julgamos contínuos e coerentes! A vida é o reflexo daquilo que somos capazes de aprender e do modo como interagimos a cada momento com o infinito resto que nos envolve, por dentro e por fora.

A vida é um ínfimo nada, do infinito resto, cheio do sentido que a nossa Alma/Imaginação lhe consegue dar!

O cérebro e a identidade nacional


Tudo pode ser aprendido, mesmo sem ser ensinado!

«Quando acontece alguma coisa, que as pessoas identificam como diferente de tudo o que já conhecem, então isso é a prova de que podemos aprender e de que isto também constitui a própria vida».(...) «Aprendemos com a experiência, (…) quando vemos, ouvimos e quando imitamos outros comportamentos (…) ou ainda quando memorizamos vocábulos. Para muitas pessoas, a aprendizagem é não só um estudo repetitivo e mecânico como desprovido de prazer. Mas também isto é aprendido» (Manfred Spitzer, 2007, in Aprendizagem – neurociências e a escola da vida, tradução do original de 2002).

Tudo o que sabemos, é aprendido e repetidamente treinado. Mas sabemos muito mais do que consciencializamos, infinitudes para além do que nos ensinaram. Por esse motivo, o ensino é uma miserável e limitada percepção do saber.

O cérebro é o mecanismo que temos de adaptação, apropriação e manipulação dos meios em que nos inserimos e dos momentos que vivemos. É o adaptador à vida, fazendo com que ela se pareça com o que sentimos e pensamos.

O cérebro tenta, constantemente, resolver problemas, integrar estímulos, criar padrões sobre os quais é capaz de operar. O cérebro está constantemente a funcionar, a criar ligações, a treinar percepções, atitudes, comportamentos (ações). Por isso se torna tão difícil – requer treino – meditar!

Todo o caráter (que estrutura a identidade) é reforçado por um processo cerebral que nos tende a levar para a estruturação, fixação e simplificação. Mas é tudo uma questão de treino. Um cérebro treinado para questionar, duvidar, conhecer, planificar e agir é programado para concretizar de um modo. Outro, treinado para vassalar ...

E assim se faz PORTUGAL! Com uma identidade diversa e mista, que aparenta não existir!