sábado, 10 de março de 2012

Campeões europeus da inovação


Portugal é um país de paradoxos. Somos conservadores, mas, também inventamos tudo, numa fúria de inovação adaptativa. Esta qualidade faz parte do código genético nacional, da nossa Identidade. Somos tão geniais que, por vezes, parece que vivemos num país surreal.

Descobrimos o mundo com barcos que inventámos, juntando a sabedoria de múltiplas civilizações. Conquistámos terras, colonizámos, transformámos gentes, recombinámos tudo o que foi possível. Criámos o capitalismo mercantil. Aprendemos a trocar e a vender quase tudo. A fazer dinheiro com o que nos garanta consumo e luxo.

Inventámos a via verde e o multibanco. Somos um país de uma enorme riqueza gastronómica. Recriamos, adoramos fugir ao padrão.

Mais recentemente, insatisfeitos, criámos uma nova lógica relacional entre países. Compramos colonizadores asiáticos e africanos, grandes povos dos novos mundos. Atraímos investidores para dominarem os fatores estruturais da soberania do país! Foi isso que fizemos no caso da EDP e de outras componentes importantes da economia.

Dentro de poucos anos, perante a insustentabilidade política, nacionalizaremos estas empresas, recuperando a sua soberania, provavelmente para a revender, em saldos, logo a seguir!

E, podem ter a certeza, a Europa vai copiar!

Somos lixo, não reciclável


A velhice é uma fase do percurso da vida. É pessoal e circunstancial. É um estado, físico e de espírito que associa uma perda de autonomias. Pode ser um período triste, natural ou até reconfortante da vida. Depende de nós, de cada um e do seu contexto.

Hoje, a velhice é o lado feio da existência. A degradação humana. O abandono. É comum ouvir os velhos dizer: «Somos lixo. Atrapalhamos. Ninguém nos liga.» A velhice é triste, quando a sentimos assim, assistimos à morte dos entes queridos, estamos sozinhos. Quando já não se pode contar com os outros. Apenas restam os lares.

Lar, para um pobre, é um asilo, um poço de mortos. Mas, se o velho tiver dinheiro, muda um pouco o panorama. Pode ficar num lar de luxo, num hotel ou residência assistida. Nestes casos, a família está mais presente, pelo menos, para ficar com a herança.

Já sabíamos que a velhice dos pais é um fardo para muitos filhos. Para a grande maioria. Um fardo social e económico. Um motivo de vergonha e desconforto. Os filhos são, também, o fruto da educação que os pais lhes deram e do que se fizeram na vida!

Mas nunca imaginei que a velhice fosse um problema! Recordo: a velhice é um estado, uma etapa da vida que deve ser digna, de uma PESSOA. De alguém que precisa de convívio, de participar, nas suas circunstancias, de estar aceite, sentir-se respeitada, querida, integrada.

Lamento, mas nós, somos uma vergonha! Para qualquer civilização que nos trouxe até ao «progresso», não somos os filhos pródigos. Somos os mete-nojo, as ovelhas ranhosas que estão dispostos a enfiar os velhos em asilos! Para os deixar morrer, longe da vista!

Estas gerações, são lixo. Não reciclável.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Voam por aí, à conquista do mundo!


Muitos dos melhores alunos dos últimos anos em arquitetura já emigraram. Há alguns anos. Andam por aí, por esse mundo fora. Têm trabalho, ganham experiência, encontraram no estrangeiro as oportunidades que o país não soube criar na sua geração. Estão no Dubai, em Barcelona, em Copenhaga, no Brasil, na China...

Arriscaram, investiram, quiseram dar o salto para, um dia mais tarde, mais sabidos e experimentados, com redes internacionais criadas, trabalharem em todo o lado com estas novas tecnologias. Deram corpo ao sonho de fazer vida na sua paixão, fora de um país pequeno para a sua ambição e qualidade, deram asas à criatividade.

Muitos portugueses, como sempre se disse, são excelentes. Criativos e comunicativos, desenrascados. Valem imenso. Mas, em Portugal, estavam tramados, não teriam espaço para, com desembaraço, criarem mundos que as suas pontes eram capazes de visionar. Foram-se! Um dia, muito dificilmente poderão voltar.

Ficamos mais pobres aqui, mas mais livres pelo mundo. É a diáspora natural de um país como Portugal, nesta sociedade hipermédia, global. 

Apesar de tudo, não é uma triste sina. Eles não fugiram, simplesmente ambicionaram e voaram. Mas o que os alimentou, foi o atraso de mentalidades, a má educação, a desorganização e a tacanhez de muita gente neste Portugal. Ambiciosos, «fugiram» desse aspeto triste. Para conquistar o (seu e nosso) mundo. Iniciaram os (Re)Descobrimentos!

Texto escrito de «Acordo com uma Nova Ortografia Imaginária», a minha, a de um simples e humilde analfabeto!

Grandes animais


Quando alguém pergunta, pede ajuda!

Pode-se ajudar. Responder à dúvida ou, simplesmente, requestionar! Em ambos os casos, corresponde-se. Mas, nem sempre, se faz avançar.

Quando, de imediato, se responde à dúvida, dá-se segurança. Indica-se o caminho. Dá-se uma ajuda que, num instante, pode fazer crescer, mudar. Mas nem sempre. Por vezes acalma demais. Aconchega. Não cultiva o excelente hábito de se questionar.

Sou inútil, um bandido, irresponsável, estúpido, se, do alto da minha sabedoria (sempre limitada), com ousadia e arrogância, preferir humilhar: - Que pergunta estúpida! Não sabes pensar?

Assim, não ajudo, desrespeito, enxovalho. Mato o prazer de questionar, de pedir ajuda e de se relacionar. Nesse caso, a pergunta foi a arma que o outro me deu para o matar, foi cúmplice, sem pensar. Mas... o assassino é, afinal, quem podia e devia ajudar!

Pede-se ajuda aos pais, professores, diretores e «amigos». Pessoas relevantes que num momento único, sem querer, podem esmagar. Infelizmente, alguns têm prazer em o fazer, diariamente! São uns tristes mortais que fazem bullying com a gente. Grandes animais!

Texto escrito de «Acordo com uma Nova Ortografia Imaginária», a minha, a de um simples e humilde analfabeto!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Deus existe


A minha filha acredita que Deus existe! Aprendeu, descobriu. Fez o saboroso percurso da dedução e descoberta. E, com naturalidade, afirmou, no elevador, a caminho da escola: Pai, Deus existe mesmo. É uma força, uma energia superior a nós. É a lógica do Universo!

Não quis concordar, para não criar mais uma convicção precoce, um preconceito que nos aprisiona. Mas, efetivamente, acho que sim!

Não a ensinei, ninguém o fez. Apenas deixámos que ela percebesse quão ínfimo é o ser humano perante o Universo. Sem religiosices, cientificidades limitadas, lamechices e pieguices. Deixámos que descobrisse um sentido para uma das mais significativas e irrelevantes dúvidas que nos assaltam. Ela, descobriu, com simplicidade, que, de facto, Deus existe. Resolveu um problema. Criou uma solução, válida!

Para nós, Deus não é o santo das barbas que julga, pune ou ajuda, que define a fé e a vida. Deus é, simplesmente, o inexplicável da vida. É uma força, muito superior à nossa capacidade de o racionalizar, mas muito próxima de se descobrir através da existência, da contemplação e da meditação. Não é uma via. Antes, uma constatação! 

Estou seguro. Deus existe. E o destino (com contornos que desconheço) também. Já o comprovei, já os experimentei. Deus não é só fé, nem é razão, nem emoção. O destino também não. Só me falta saber se há almas gémeas e reencarnação. Mas, aí! Tenho fé!  

Sem nos dedicarmos à religião ou a qualquer moral que aprisiona a vida e a razão. Somos livres. Porque sabemos que Deus existe! Mais lúcidos e livres que a ciência que o nega, em ilusão.

Texto escrito de «Acordo com uma Nova Ortografia Imaginária», a minha, a de um simples e humilde analfabeto! 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Um feudo esquizofrénico!

Portugal é um país de desenvolvimento elevado;). Tão rico que desperdiça a inteligência e a competência de talentos geniais. 

É uma terra de normais que se orgulha de excluir os diferentes, chamando-lhes «artistas», «criativos», «visionários», «dispersivos», «lunáticos». 

Portugal é um feudo de «anormais» que se julgam ilimitados, onde um génio criativo ou resolutivo é menos respeitado que um limitado depressivo. Principalmente, se tiver um canudo!

Portugal dá-se ao luxo de abandonar os melhores que já vi a inventar um conceito, a tocar uma guitarra, a escrever uma tese, a organizar um modelo de investigação. Não os sabe enquadrar numa organização. Só se se safarem por si! Ninguém lhes dá a mão.

Portugal ainda é um país dominado por gente limitada que se assusta com o novo e com malta especial, capaz de desestabilizar e pôr em causa a força brutal (estúpida) da limitada razão!

Assim desperdiçamos pessoas e talentos, recursos de desenvolvimento e inovação. Portugal é um país rico...em desperdício e em pessoal cinzento.

Portugal é uma país menor na criação de «inovativo» pensamento. É um cantinho esquizofrénico que rejeita a esquizofrenia dos criativos porque não a entende. É um cantinho fechado para a abertura da mente, para o diferente. Apesar de estar mais desenvolvido do que antigamente!

Quero um futuro...decente!


É a verdadeira ambição de quem vai à escola! Dos pais que pagam para um miúdo estudar. Daqueles que investem para crescer e ambicionar.

Os alunos querem um futuro, desejam-no, sem grande esforço, de preferência, sem trabalhar. Os estudantes praticam-no, desenvolvem-no, sofrem para o conquistar. Dois estilos, um mesmo fim. Votados ao fracasso e desespero, quando não são combinados nem bem focados! Quando, no final do curso, ficam desempregados!

Os alunos cabulam a matéria, pouco ficam a saber, mas aprendem outras cousas e lérias.

Os estudantes buscam Saber e, com ele, preparam-se para construir alicerces para o futuro. Ganham saberes. Verdades inúteis para o sucesso, no curto prazo! Ganham competências, aquelas que, muitas vezes, as empresas e os empresários não procuram! 

Os alunos universitários querem, acima de tudo, uma segurança para o futuro. Pagam para ter emprego. Mesmo que não tenham Saber. Os pais querem o «canudo», como se este lhes desse emprego. Mas o mundo pede-lhes outras competências de Saber, de Ser e de Saber Fazer.

Nós, estupidamente, mercenários do Saber, carregados de academismo inconsistente, continuamos sem criar Politécnicos que efetivamente respondem às necessidades dos que empregam, dos que trabalham e dos que querem crescer. Não condeno. Apenas critico para realçar a necessidade de mudar esta maneira de pensar, de ser e de fazer!

Amanhã será mais tarde do que ontem! Hoje é o dia para transformar o Ser e o Querer. Para toda a gente!