sábado, 12 de março de 2016

Uma prisão multiplicadora de escravos!

A escola não se esgota nos processos de ensino entre as 4 paredes ... dos edifícios murados ... em que institucionalizamos (prendemos) miúdos para os afastar da vida ocupada (doentia) de um conjunto de escravos que são peças de uma imensa máquina mundial de enriquecimento de 1% da população!
A Escola é o pilar estruturante de uma sociedade que se deseja saudável e capaz de construir o seu progresso sustentável. É o berço de uma cidadania plena, fundada numa consciência aberta, reflexiva e universal. A nossa Escola é a nossa Aldeia, em que uma comunidade inteira nos ajuda a desenvolver todo o potencial individual para a nossa felicidade e para o bem comum.
Pelo menos, assim deveria ser. Mas ... a culpa é dos currículos e dos professores!
Somos TODOS (i)responsáveis por esta enorme insanidade! Enquanto comunidade, somos tão estúpidos, tão incapazes de discernir com sentido, e de «agir em conformidade» com inteligência e lucidez! É uma pena! Perdemo-nos tanto ... e arrastamos os nossos miúdos nesta imensa estupidez!
wink emoticoEnquanto comunidade, somos tão estúpidos, tão incapazes de discernir com sentido, e de «agir em conformidade» com inteligência e lucidez! É uma pena! Perdemo-nos tanto ... e arrastamos os nossos miúdos nesta imensa estupidez!]

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A Escola que queremos

Numa época em que se abre o multiverso com novas tecnologias e relações, precisamos de aprender a abrir horizontes com um elevado sentido crítico, em interacção constante.

Todavia, a escola conservadora que temos fecha horizontes, aprisiona-nos em ideias e gaiolas de conhecimento, treina-nos para obedecer. 

Por isso, falha! Por isso, nas aulas, libertamos o nosso sofrimento, a nossa irreverência e raiva ou fugimos e, … por isso, se chumba tanto! Os mais pobres, chumbam. Os outros conformam-se e passam!

Nós, alunos/aprendentes/professores abertos ao mundo, com a Internet nos dedos, como seres humanos com múltiplas inteligências e sensibilidades, rejeitamos tais limites.

A Escola conservadora que temos está morta, na sua razão de ser: EDUCARE! Trazer de dentro, o talento, em conformidade com a envolvente … para todos.
Mas a Escola é, e será, o Pilar Estruturante do Desenvolvimento.

Por isso, é urgente repensar e transformar a escola. Libertá-la das amarras do conhecimento baseado nos currículos fechados, para a entregar às asas do pensamento … crítico e reflexivo, libertador! Para a entregar ao genuíno ato de ajudar a aprender a aprender, permitindo, assim, construir e libertar todo o talento que cada um pode ter. 

Assim, todos, seremos mais felizes … e ricos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Tudo é pouco

Tudo o que «eu souber» é pouco ... se não o quiser partilhar, com sabedoria e sensatez! Muitas vezes, em jeito de razão, de emoção ou provocação.
Os testemunhos e os saberes que «se escondem» dentro de cada um de nós ganham valor quando enriquecem os outros.
Uma pessoa vale pelo bem que faz e pelos males que evita. Vale também por tudo aquilo que partilha, numa base de Bem-Comum.
Há sempre um momento certo ... para dizer uma palavra, ou praticar um ato! 
Há sempre uma medida certa na relação com tudo o que nos envolve. 
E nem sempre é fácil acertar ... no tempo, na palavra e no ato!
Mas vale a pena tentar.
TUDO DE BOM.

Estamos plenos

É tão bom sentir-mo-nos protegidos e amados, aconchegados em nós, nos nossos pensamentos e afetos. Nesse estado, somos livres e felizes para caminhar, aprender e rir. Podemos estar sós. Mas não estamos desligados. Estamos plenos. E os outros pressentem esse estado de Paz.
Todos vivemos (e aprendemos) melhor em ambientes de aconchego e amor, quando caminhamos abraçados ou de mão dada com uma alma cúmplice.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Partilha da treta


No 11º encontro do Fórum Cidadania & Território, ontem, tornou-se claro, para mim, que por muito que queiramos, não conseguiremos promover a participação enquanto não trabalharmos a dimensão interna de cada indivíduo. Enquanto não eliminarmos os bloqueios emocionais e sociais à participação, enquanto não desencadearmos a vontade e a crença interna (em cada pessoa) de que vale a pena participar.
A VONTADE de participação pode ser bloqueada ou reforçada pelas estruturas e formas que criamos. Mas só se transforma em participação efectiva quando vem de dentro, como uma força que nos impele à acção, ultrapassando hábitos e (des)confortos enraizados.
A predisposição para a participação resulta de um processo de aprendizagem pessoal – contínuo – de escolhas mais ou menos reflectidas, que decorrem da experimentação e da prática. Se não houver hábitos, vontade de participar e de assumir a responsabilidade de o fazer, não há espaço para a prática de uma efectiva democracia participada.
Aparentemente, não participar, não se expor, não se afirmar, não expressar, não exigir, … na nossa sociedade, que educa para a passividade e pela negatividade, é a atitude confortável para viver melhor.
Mas é um puro engano! Não participar, é, ao mesmo tempo, prescindir de uma parte de si próprio, de morrer, estando vivo, de sofrer em silêncio, de sublimar o mais profundo eu!
Mas não participar … é normal, é confortável, … porque educamos para isto. Porque nas nossas escolas, educamos para o individualismo e a não participação.
Desde pequenos, exceto em honrosas exceções, temos escolas, salas de aulas, professores, processos desenhados para cultivar o Eu, a independência individualista (contra a interdependência responsável), o pensamento único e limitativo, o exercício do poder discricionário, a passividade, a obrigação e a desresponsabilização, no fundo, tudo aquilo que leva à desmotivação para o indivíduo se afirmar e participar.
Felizmente, em casa, a coisa já é diferente!
Convém recordar que educar é direccionar a vontade, as competências e as práticas de acordo com um conjunto de valores!
Não se aprende/educa pelo que se fala. Antes, educa-se pelo que se vive/experimenta.
Cresce-se pela experimentação prática das ideias e dos valores. Copia-se o exemplo que tem sentido, que funciona, em cada pessoa, em cada vida, em cada processo. Recria-se em cada momento, a crença de agir ou deixar passar, de intervir ou deixar andar. De participar ou desistir, a partir do que se conhece/experimenta.
Falar de participação é relevante. Mas participar e experimentar é que faz a diferença.
Julguem o que quiserem! Eu vou andando por aqui, com um sorriso de turista descontraído ou de Papalagui, que passeia por uma terra de gente que se julga inteligente e que acredita que a escola que temos serve para alimentar o progresso wink emoticon
Eu tenho a certeza que não, mas que se lixe, só cá estou para passear e aprender com o leve sentido de imaginar ser.
TUDO DE BOM

Bom dia

Bom dia,
Com os desafios da sustentabilidade e as incríveis evoluções técnicas do final do século 20, tudo está a mudar! Com uma intensidade crescente. Mas as principais mudanças são sociais+políticas+económicas. São, acima de tudo, RELACIONAIS.
As tecnologias digitais mudaram tudo, exceto as convicções e as concepções dos velhos paradigmas!
Nesta nova Sociedade que se estrutura, as Comunidades (redes estruturadas e flexíveis com um elevado sentido de identidade) jogam um papel decisivo na MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS para o desenvolvimento. E neste sistema, não há variáveis independentes nem padrões. Tudo está interdependente, vive na crescente incerteza dos poderes distribuídos.
Mas há variáveis determinantes: a COMUNICAÇÃO (que tem sempre informação), a CULTURA (que resulta dos processos de aprendizagem e educação) e a ATITUDE.
Neste contexto, os conhecimento das determinantes da Saúde, da Arquitetura, da Intervenção Comunitária e da Gestão das Organizações são áreas do saber muito relevantes.
As ciências (designadamente, as exactas) serão apenas instrumentais, como sempre deviam ter sido! Os modelos não são a realidade. As ferramentas não são a vida. A ciência não é saber. É apenas uma parte (relevante) de tudo o que precisamos de organizar para criar um mundo melhor.
TUDO DE BOM

Feliz por desistir

Vencido, rendido ... e feliz por desistir em vez de resistir, na imensa tranquilidade do Ser/estando!

O discurso dos media, dos políticos e do povo, que refletem as linhas de pensamento dominantes na sociedade atual, revelam a incapacidade de Portugal para se integrar de forma adequada nos processos de interação e desenvolvimento à escala global!

Portanto, em vez de se ambicionar uma estratégia de desenvolvimento, poderemos assumir uma estratégia, e uma ação, de «cuidados paliativos das comunidades e do território» enquanto não tivermos a coragem de regenerar os processos educativos ... que também passam por regenerar a escola, mas não se esgotam aí!

Como a REGENERAÇÃO EDUCATIVA é uma enorme ambição, inalcançável em poucos anos, e me sinto um «estranho numa terra estranha», um visionário, irreverente e desconcertante (palavras que ouvi nos últimos 3 dias, para me caracterizarem em diferentes contextos) ... e como não me creio génio nem masoquista, mas, antes, um cidadão mediano, apaixonado pelas PESSOAS e a educação, atento ao que me rodeia ... creio que estarei muito perto do momento do salto quântico para outras ações mais libertadoras e menos grandiosas, mais humanas.

Finalmente, assumo o conforto do papel de turista, distraído e feliz, numa caminhada de aprendizagem esvaziada de sentidos mas cheia de significados inconscientes.

Chega! Jogo a toalha ao tapete. Não pelejo nem esgravato mais. Sim. Faço-o mesmo, num processo de derrota vitoriosa. E fico bem, assim, confortável e «feliz» no meio da multidão, enquanto ela se transforma sem perceber. 


A vida pode ser estupidificantemente gira, no simples, singelo e imenso ato de respirar, amar, sorrir e estar, gozando apenas o prazer de viver na consciência de Ser.

«Nossos problemas seriam menores
Se todos nós fossemos maiores»
in, Portugal, de Isabel Alves de Sousa, 2014

Obrigado a todos pelos caminhos que traçámos e traçaremos em conjunto, TUDO DE BOM

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Vida desconcertante

É giro! Desconcertante e reconfortante.
Num momento, a vida pode dar uma volta imensa, surpreendente. Pela morte de um amigo ou por um prémio do euromilhões, por uma descoberta que nos massacra ou uma paixão que nos alimenta. A vida é uma surpresa constante ... que pretendemos «controlar», debalde. Uma vida bem vivida, constrói-se no jeito positivo de lidar com os acasos, os factos marcantes e as relações relevantes, em momentos de êxtase, de dor e de paz. A vida é isso mesmo: Vida. Uma incerteza (in)constante num percurso que tentamos aprisionar em racionalidades circunscritas, fechadas. Demasiado limitadas para serem capazes de a compreender na sua plenitude imensa e difusa, quântica. E as palavras, como os desenhos, são essa coisa linda que nos permite partilhar o pouco que dela conseguimos pensar ;)



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Talvez entre de férias

Uma grande amiga, daquelas com quem crescemos na diferença, pergunta: porque escreves tanto no facebook? O que te move?
Não sei. Não tenho tempo. Mas sinto necessidade de o fazer. 
Vim para casa a pensar nisto!
Ontem, outra amiga postou uma imagem de um bebé a dormir com um coelhinho de peluche. Fez-se luz!
O amor que se sente por um filho e a vontade de criar um mundo harmonioso são os elementos que mais me incentivam a pensar, escrever e agir assim, mesmo quando não tenho tempo. Sou Geógrafo! Tenho uma perspectiva integradora e uma elevada consciência ambiental. Creio que já ultrapassámos os limites de resiliência natural do Planeta! Mas ainda temos inteligência e tecnologia para reverter o caminho óbvio de destruição que continuamos a percorrer.
Neste caminho, teremos, provavelmente, cerca de um século para assistir à catástrofe natural. Estamos distraídos, demasiado distraídos para o desafio que nos confronta já, hoje.E, agora, já é evidente o desafio da guerra global que irá acelerar o processo.
Tudo isto, começa em falsas ideias de progresso e de economia que temos como certas, nascidas nas grandes convicções do séculos 19 e 20, antes das primeiras crises do petróleo. Prolonga-se nas práticas consumistas e irresponsáveis que temos, na ética de negócios e da política que persistimos em manter. É um problema económico que nasce na falta de qualidade da educação e do sistema sociopolítico que pretendemos continuar.
É altura de parar. É urgente mudar. É urgente ter consciência. É urgente calar os estúpidos que não conseguem perceber isto, porque estão distraídos com outras coisas. É urgente conquistar uma consciência colectiva – que não tem de ser a minha.
Sozinho, serei incapaz de ajudar a reverter o percurso! É isto que alimenta o meu ato consciente de investir tanto tempo a escrever estas parvoíces.
Mas, começo a ficar cansado. Talvez entre de férias! 
wink emoticon
TUDO DE BOM

Terno paraíso

O Paraíso alcança-se em breves momentos de serenidade e equilíbrio entre o que está dentro e fora de cada de ser, numa ligação terna, quase eterna, e momentânea, harmoniosa e densa. É simples, singelo como uma flor. Transparente. 

A foto, o desenho, o poema, a música, por vezes, expressam-no.

TUDO DE BOM


Equanimidade!

É uma sensação de Paz, tranquila, que ocorre quando, por um momento, uma alma encontra repouso na sintonia com outra alma. 

É um nível sublime de Felicidade e Amor. Imaginem o que será se durar grande parte de uma vida! Isso sim, é Natal.

Feliz Natal, TUDO DE BOM

domingo, 29 de novembro de 2015

ESCOLA ATIVA

Estamos em 2015, quase 2016. Cada vez mais próximos e ligados, numa Aldeia quase Global, em que uma enorme quantidade de pessoas se mantém isolada das ideias e dos recursos mais importantes!

Vivemos numa economia que se desenvolve a partir da guerra nos territórios distantes. Mas … os territórios estão cada vez mais próximos e presentes!

Por isso, o grande desafio atual prende-se com o PANORAMA MUNDIAL que vivemos, que pode ser descrito assim:
- Estamos perante uma crise climática ... irreversível ... ou talvez não!
- Cada vez há mais pessoas para alimentar e cuidar. Vivem mais anos.
- Não cuidamos dos recursos estruturantes. O solo, a água e o ar são suportes de vida que estamos a degradar.
- Cada vez há mais conhecimento, mas, também, mais desconhecimento relativo, manipulado.
- Para quem queira agir, há cada vez mais recursos. Agora imaginem o que se pode fazer em conjunto. 

Mas … todos os que olham para o futuro com os óculos e paradigmas do passado, irão tentar travar uma nova forma de pensar e de agir. Irão tentar manter os poderes, criar o medo, matar, fazer tudo o que seja possível para continuarem a reinar.

O padrão de pensamento e da acção construído entre 1650 e 2000 está inadequado aos novos desafios que se começaram a desenhar no princípio do século 20, que se aprofundaram depois da 2ª Grande Guerra e, acima de tudo, agudizaram-se a partir de 1973, com as crises e as guerras do petróleo.

Em toda a História, enquanto o mundo inteiro não estava tão ligado e com tanta gente, em lugares tão grandes e poluentes, foi possível e eficaz governar com exércitos, regulamentos opressores e domínios de vários tipos, impondo a lei do mais forte. Hoje, a lei do mais forte ainda impera, mas, o poder está mais distribuído.

Por isso, não estamos só perante um desafio económico. Essa é apenas uma pequena parte do problema, o efeito de outros vários aspectos determinantes como a demografia, a educação, a acção e os modos de interacção sociocultural.

Por isso, precisamos de filosofias do século 21, de pessoas do século 21, de cidades do século 21. Precisamos, acima de tudo, de uma nova ESCOLA ATIVA em que se criem novas ideias e soluções e se cultive a capacidade de sentir, pensar, aprender e AGIR em colaboração.

Cada dia que perdemos sem trabalhar este tema … é menos um dia que temos no percurso para um cataclismo global anunciado nos anos sessenta do século passado. Por isso, já, hoje, ou amanhã, reinvente-se a Escola, em todas as escolas. Mesmo que o Ministério - essa instituição criada no século 18, incapaz de se mover - não o consiga fazer.

Estamos numa época em que é preferível fazer e errar, corrigindo depois, do que continuar parados, distraídos, bebidos, divertidos, a conversar. 

Apesar dos discursos da treta, estamos numa época em que a Educação e a Ação são mais importantes do que a Economia, que resulta daquelas.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Quando a EDUCAÇÃO mudar!

Portugal perdeu, há 4 anos, uma excelente oportunidade de mudar o seu percurso de dependência e sub-desenvolvimento. Continua a acreditar num caminho que está evidentemente inadequado. Mas ... é assim a democracia nos países de gente pouco informada e pouco interveniente.
Também andei em gestão, também estudo economia. Gerir é muito fácil. É muito técnico. É técnica para gentes estruturada e pouco criativa.
Mas, gerir bem ... é outra coisa. Pressupõe uma combinação continua e imperfeita entre cultura histórica, visão estratégica, organização e estruturação tática, eficiência e eficácia operacional e ... DECÊNCIA na liderança, nunca deixando os outros para traz!
Supõe o uso da SABEDORIA (é o conhecimento destilado pela prática), dos princípios e das melhores competências, numa abordagem ética.
É a ÉTICA que dá sentido à ação. Não são as contas da gestão financeira.
O caminho que seguimos não era (nem é) sustentável, muito menos se dirige para o DESENVOLVIMENTO INTEGRADO. Portanto ... com naturalidade, as projeções de crescimento são estas (http://www.publico.pt/economia/noticia/fmi-continua-a-nao-acreditar-na-aceleracao-da-economia-portuguesa-1710256), as de desenvolvimento ... são muito piores.
As coisas mudam quando a EDUCAÇÃO mudar e as escolas derem uma importância tão grande à EDUCAÇÃO INCLUSIVA, à participação, como dão à transferência de conhecimentos, que apelidam de instrução.
O pior das viagens e dos caminhos não são os buracos e os desafios que vamos encontrando, antes, os EQUÍVOCOS a que nos vamos agarrando.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

AMIZADE genuína

Na existência materialista que criámos – através da evolução histórica do Ocidente -, o sentido da vida parece que se esgota no prazer do momento, no poder (no dinheiro) que conquistamos e na morte!

Para muitos, é assim! A vida é efémera. Simples! Vazia! Pouco poética.

É a vida. Feita de factos, de cargos e de estatísticas. Não é eterna nem plena.

A morte de um amigo, ou de alguém que amamos, mostra-nos que a vida não é eterna, mas a amizade (e o amor) podem ser. Ou, se quisermos ser mais precisos, podem durar enquanto as memórias, as saudades e os momentos de contemplação o permitam.

Efetivamente, não é por perder um amigo que perdemos a sua amizade. Ela fica, gravada, nos momentos especiais e únicos que vivemos … juntos!

Afinal, a vida não são só factos. Vai muito além da estatística!

É consciência, mediada pela relação contínua entre a razão e emoção, criada nos momentos únicos (e genuínos) da vida.

A Vida é uma soma multiplicadora de momentos, sensações, interpretações, ligações, que se tornaram especiais para o que somos/estamos. Eventualmente, estas vivências poderão perdurar eternamente. Um dia o saberei. Ou não, dependendo do que aconteça à minha consciência/alma!

Mas uma coisa parece certa, o sentido da Vida Plena, enquanto dela temos esta consciência, também passa pela amizade genuína. Por isso, a devíamos cultivar.
Reza a história – muito inventada/deturpada – que havia um bacano de barbas e cabelos compridos que pregava aos peixes, pela Palestina, «terra de Paz!», há cerca de 2000 anos, sugerindo: «amem-se uns aos outros», cultivem a Paz (de Espírito). No seu entender, esse seria o caminho para o reino de Deus, ou seja, para o Paraíso, que podia ser atingido através do Espírito Santo, ou seja, do espírito do Bem Comum, da vida partilhada.

Se calhar estas ideias têm fundamento! Ajudam a dar sentido à vida. Possivelmente, serão eternas. Pelo menos, perduram no tempo, muito para além da nossa consciência individual, na memória/consciência coletiva … de todos. Pelo menos, duram 20 séculos.

Mas, hoje, no Ocidente, para muita gente, que se lixe a amizade genuína. A vida plena está cheia de poder, de dinheiro, de prazer e esgota-se na morte.

Por isso, de modo sarcástico, nos brindes de aniversário, costumo desejar: «à saúde e ao dinheiro, que, com ele, compra-se tudo»! Ou talvez não!

Viva a Amizade verdadeira, descomprometida, aquela que me dá prazer sentir no dia a dia e que, eventualmente, poderá ser eterna. Obrigado Tó, Obrigado Luís, por terem sido meus amigos. Vocês partiram. A amizade ficou … e ajuda-me a viver mais pleno, mais feliz, mesmo com algumas lágrimas no rosto, de vez em quando ;)


Até breve. TUDO DE BOM

domingo, 18 de janeiro de 2015

O outro lado da moeda

A cultura dos privilégios está na origem dos «Privilegiados» (que encabeçam as manifestações do povo contra o terrorismo) e da queda, a seu tempo, dos seus sistemas de governação.

Na Europa, tem-se generalizado o discurso da «Acreditação» e da «Certificação» como modos de gerar confiança e competitividade. Todavia, no outro lado da moeda, estas coisas, bem como as patentes, pretendem, acima de tudo, criar privilégios (económicos e de poder) de uns em relação aos outros, contrariando, assim, o sentido da igualdade de oportunidades! Negando os fundamentos Jean Monnet para a criação de uma União Europeia.

Os políticos que conheci na juventude (Pedro e TóZé, incluídos) demonstraram-me bem que a sua principal motivação para a carreira política era a de acederem aos privilégios do poder. Ficou evidente que a busca de qualificação, acreditação e certificação profissional não eram o seu investimento central. Por isso, demoraram vários anos a concluir os seus cursos superiores!

São certificados, pela vida, em competência de comunicação e jogo social. Que eu saiba, não possuem nenhuma acreditação de competência governativa. Mas, são hábeis na «manipulação da verdade»! Apoiam a «Acreditação» e «Certificação, disfarçando-as com discursos de «Qualidade e Exigência». 

Mas, quando um indivíduo pretende começar um pequeno negócio ou uma associação ... tem de passar a ser «certificado» ou «acreditado» (controlado) por uma enormidade de regulamentações! Ou assume ser «informal» e «ilegal» ... mesmo que seja competente! Quando um indivíduo é muito bom na sua prática profissional, sendo alguém que deverá transmitir o seu conhecimento aos outros (para bem da comunidade), tem de ser Doutor ou Formador!

E nós, armados em estúpidos, aceitamos isto! Até aplaudimos! Muitos de nós, acham que este é um bom modelo de desenvolvimento! 

Este até poderá ser um bom modelo de crescimento económico, mas, garantidamente, é injusto e bloqueador dos processos de empreendedorismo (social ou com fins lucrativos), não gerando, naturalmente, o desenvolvimento humano que desejamos. 

Depois, admira-mo-nos de criar pouco emprego, por ter uma inflação negativa (termo simpático, para não admitir que o «pesadelo dos economistas», a deflação, aí está), fruto da austeridade e da cultura dos «Privilégios» disfarçados de «acreditação», «certificação» e de «patentes» que a Europa cria!

Pensem nisto!
TUDO DE BOM

sábado, 10 de janeiro de 2015

ALERTA DE REFLEXÃO

Quase todos os grupos terroristas do século 20 tinham incidência territorial limitada. Venceram ou obrigaram os governos a negociar condições favoráveis para si! Colocaram a sua causa na ordem do dia. Só perderam quando o povo se revoltou contra eles. 
Agora, assistimos a um novo tipo de terrorismo, que não age num território delimitado, tem um apoio mais abrangente, de vários grupos económicos, governos e comunidades! 
... Percebem agora a gravidade do que aconteceu em França, em Londres, em Madrid?
Mas, a resposta a esta realidade nunca passará pela segurança armada! Essa, apenas prolonga e aumenta o tempo e o nível de sofrimento. Lembrem-se da história da libertação dos povos africanos em relação à colonização europeia.

A vitória, de todos, passará pelo diálogo e a criação de paralelismo global, integrado, sustentável, e isto começa na EDUCAÇÃO INCLUSIVA. Percebem agora o papel estrutural das escolas e da mudança que temos de fazer? Se querem viver em Paz, por favor, disseminem esta ideia. TUDO DE BOM

domingo, 4 de janeiro de 2015

Silêncio e desassossego

Cheguei à sala da minha casa. As minhas filhas estavam sentadas, no sofá, a ver o CSI. Mais uma daquelas séries profundas, cheias de referências sobre o sentido da vida, que a televisão passa, a toda a hora, em quase todos os canais!

Fiquei parado! Por momentos, desassossegado! 

Que educação estou a cumprir? É este o sentido da vida? O que fiz até hoje para que elas ganhem a dimensão espiritual que as irá preparar para aceitar as derrotas, lidar com as perdas, comemorar as vitórias em comunhão com os outros? Estou a contribuir para o seu sofrimento emocional futuro, construído nos apegos e ilusões que se transformam em desencantos?

Se é assim que se educa em casa, numa família de «alguém informado», se é assim que se educa numa escola que relegou para a filosofia – e exclusivamente para aí – a racionalização do sentido da vida, como poderemos nós ambicionar uma vida e uma sociedade em Paz?

Deixamo-nos comprimir entre as «obrigações sociais», as «distracções mundanas» e os «consumos impelidos», numa vida que se esgota nos momentos de ócio e de trabalho. 

A Paz de espírito não se alcança assim!

É conveniente que paremos, em silencio, como propõe o Pedro Elias, para sentir e escutar a sabedoria que está em nós!

TUDO DE BOM

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sentido, significado e amor

A vida de uma pessoa é tão rica quando tem significados (emoções positivas), momentos alegres partilhados. Pode ter um sentido, que se realiza pela concretização de muitas ligações/relações nas quais se trocam sentimentos e esperanças cúmplices. Tenho a sensação que as relações são a origem dos significados e condicionam os sentidos da vida. Principalmente as relações de Amor. Sejam elas carnais, fraternas ou de amizade. Por isso, na escola, e em casa, pela prática e pelos ensinos, devíamos ganhar muitas habilidades para cultivar o Amor … e a capacidade de saber Amar.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Para além da sorte

Para além da sorte, que quase determina o nosso caminho, a «riqueza» de uma pessoa ou de uma comunidade (um povo) nasce da capacidade de escutarmos e integrarmos as diferenças de sentimento, pensamento e de acção. Não se cria pelas certezas, mas antes, pela capacidade orientada de as recriar em todos os momentos, num caminho com significado íntimo (pessoal) e um sentido comum/coletivo.

No fundo, trata-se de juntar Pessoas, meios e fins, num percurso que queremos percorrer porque acreditamos que nos fará felizes, por muitos anos, deixando um legado construtivo e relevante.

Foi assim que nasceram os Descobrimentos.

Tivemos a sorte de, em determinada época da história, juntar, num pequeno território, os saberes do norte da Europa, com os do norte de África e do Médio Oriente e, impelidos pela incapacidade de conquistar espaço geográfico em Castela, ter de procurar novas soluções com os recursos diferentes que as diversas culturas nos trouxeram, buscando novos rumos e territórios.

Tal desígnio aconteceu porque tivemos reinados (sistemas de liderança) que souberam sentar à mesma mesa, de negociação e concertação, judeus, árabes, anglo-saxónicos (celtas, suevos e visigodos) africanos e iberos para construir uma nova ambição … colectiva, ao mesmo tempo interesseira e altruísta!

É por isso que não entendo a razão de ser de tanta estupidez que se constrói na incapacidade de escutar o outro, o que ele sente e pensa diferente.

Tal como no passado, para desenvolver este país, é fundamental aprender em conjunto, ambicionar em conjunto (envolvendo pessoas, alinhando vontades, sincronizando as ações e celebrando as conquistas), congregar pessoas, aproveitando e desenvolvendo as suas competências (muito diferentes) no seio de organizações colaborativas, criando uma economia que gera emprego responsável e sustentável - com sentido e significado porque melhora as condições de vida dos outros e, naturalmente, do próprio - … fundada nas comunidades capazes de partilhar ideias com base em valores de Humanismo e Congregação que nascem do contrato social que se estabeleceu através do Estado durante o século 20. 

É este o nosso grande desafio para 2015.

É assim que, hoje, se constrói o sucesso das nações. Não é com mentiras nem dogmas nem certezas nem manipulações! Também não é com os discursos da competitividade global, embora ela seja relevante, que se esvazia na vaidade e no lucro!

FELIZ ANO NOVO ;)



domingo, 14 de setembro de 2014

A Guerra Final - o mau marketing destrói o futuro

O capitalismo regulado, com vários defeitos significativos que promovem guerras avassaladoras, levou-nos (no Ocidente e, agora, no Oriente) a uma sociedade cada vez mais satisfeita, saudável e e globalizada, assente no padrão do consumo democratizado, que criou emprego.

Mas, … uma vez chegados a este ponto, em que se torna evidente a insustentabilidade dos padrões de consumo e a insustentabilidade ambiental, nada nos diz que este será o melhor paradigma para garantir a Paz e o desenvolvimento global!

Aliás, as evidências mostram o contrário! Desafiam-nos a encontrar modos mais responsáveis, solidários e colaborativos de governação dos territórios e do planeta. Por isso, precisamos de modos de governação baseados num empreendedorismo responsável, regulado e solidário, com uma abordagem universal de promoção da Paz e do bem-estar.

Enquanto não percebermos isto, iremos aceitar, com naturalidade, que só os ricos possam usar a melhor tecnologia de saúde, frequentar as melhores escolas, etc.! Iremos aceitar que os palestinianos e os israelitas se matem por um pedaço de terra que já não é sagrada! Continuaremos a ser vítimas do marketing hipócrita das empresas irresponsáveis, guiadas por bandidos que desvalorizam os aspectos mais relevantes da vida humana! Iremos imaginar que a solução está no crescimento económico!

Este não será o paradigma da Paz e do Desenvolvimento Sustentável. Foi, apenas o que nos trouxe até aqui! Não nos garante o futuro. Antes pelo contrário. Prepara a Guerra Final!


Pode ser interessante ver o documentário sobre a obsolescência programada para aprofundar ideias sobre este tema: https://www.youtube.com/watch?v=5tKuaOllo_0